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O vice-governador do Estado de São Paulo, Alberto Goldman, disse ontem que a privatização da Cesp está descartada neste momento, por conta das incertezas sobre a renovação das concessões das hidrelétricas Jupiá e Ilha Solteira, que representam 67% da capacidade instalada da empresa.

"Não se cogita privatizar, porque há problemas de ordem concreta. Já houve uma tentativa e não se conseguiu vender", afirmou na Assembléia Legislativa.

Goldman admitiu que uma das possibilidades para é a venda de ações da Cesp que excedem a manutenção do controle da companhia pelo Estado de São Paulo. "Isso é possível. Vender as ações sem que perca o controle da empresa", disse o vice-governador. Goldman admitiu que os governos estadual e federal mantêm diálogo para a elaboração de um projeto de lei que permita a segunda renovação das concessões de geração, algo não permitido hoje.

O vice-governador argumentou que a privatização da Cesp não é cogitada neste momento, porque "o valor das ações depende da renovação das concessões". A venda neste momento iria contra os interesses de São Paulo. "De repente, vendemos por um preço baixo e amanhã sai uma decisão do governo federal para uma lei que permite a renovação das concessões, elevando o preço das ações. Teríamos vendido a um valor baixo, o que até poderia incorrer em crime de responsabilidade", disse.

Goldman afirmou que qualquer decisão em torno da Cesp dependerá de uma permissão ou não do governo à renovação das concessões de geração. "Quando as regras estiverem definidas, se tomará uma decisão. E uma delas pode ser a venda de ações que impliquem na perda de controle acionário da companhia", justificou o vice-governador. Para permanecer no controle da Cesp, o Estado pode se desfazer de até 44% das ações ON e 18% das PN.

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, reforçou que não foi fechado acordo com o governo de São Paulo. "O que houve foi uma visita do governador José Serra ao gabinete da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, na qual o assunto foi discutido. Não se falou somente sobre a concessão da Cesp, como também de outras empresas, cujas concessões vencem a partir de 2015", disse enquanto visitava ontem as obras da usina hidrelétrica Corumbá III, no município goiano de Luziânia, a 130 quilômetros de Brasília. O encontro da ministra com José Serra ocorreu na quinta-feira passada.

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