Washington/Frankfurt, 8 out (EFE).- O Federal Reserve (Fed, banco central americano) e o Banco Central Europeu (BCE), além das autoridades monetárias de Reino Unido, Suécia, Canadá e Suíça, coordenaram suas atuações hoje para reduzirem as taxas de juros em 0,5 ponto percentual em uma ação conjunta contra a crise financeira.

Esta é a primeira vez que essas instituições cortam os juros de modo simultâneo e conjunto, medida com a qual a taxa básica na zona do euro cai de 4,25% para 3,75% ao ano, enquanto nos Estados Unidos ficará em 1,5%, contra 2% fixados desde abril.

O Banco da Inglaterra (autoridade monetária britânica) diminuiu os juros para 4,5%; o Riksbank (banco central da Suécia) cortou para 4,25%; o Banco Nacional da Suíça e o Banco do Canadá fixaram a taxa básica em 2,5%.

Já o Banco Popular da China aprovou uma redução menor (0,27 ponto percentual), enquanto o Banco do Japão "expressou forte apoio a esta política de atuação", mas não reduziu os juros.

As autoridades monetárias esperam reduzir as tensões existentes nos mercados financeiros e seus efeitos sobre o crescimento da economia, medida que soma esforços às injeções conjuntas de liquidez realizadas desde agosto de 2007.

Os bancos centrais justificaram a decisão pela redução da inflação, principal obstáculo para cortar os juros, e destacaram a necessidade de fazer frente à crise financeira.

"Apoiaremos a estabilidade de preços a médio prazo e do crescimento sustentado e do emprego a fim de contribuir para a estabilidade financeira", declarou o BCE.

As taxas de juros na zona do euro voltaram ao patamar de maio de 2007, e esta é a primeira redução desde junho de 2003.

O Fed explicou que "a intensificação recente da crise financeira aumentou os riscos intrínsecos para o crescimento, e isso diminuiu os riscos para a estabilidade de preços".

A entidade americana ainda informou que a "intensificação das turbulências do mercado financeiro provavelmente causará restrições adicionais dos gastos, em parte porque reduzirá a capacidade das famílias e empresas para obterem crédito".

O banco central dos Estados Unidos afirmou que, apesar de a inflação estar em alta, o Comitê de Mercado Aberto, que dirige a política monetária americana, considera que a queda de preços da energia e outras matérias-primas e a expectativa de uma atividade econômica mais frágil reduziram os riscos de uma forte alta da inflação.

Os juros com os quais os bancos realizam empréstimos entre si não reagiram ao corte simultâneo das taxas básicas hoje, o que faz prever um movimento de baixa do Euribor (taxa básica de juros da zona do euro) pelos próximos 12 meses.

Os mercados europeus reagiram positivamente ao anúncio da medida e reduziram as perdas nas quais estavam imersas desde o começo dos negócios.

No entanto, mesmo entre as bolsas que chegaram a entrar no azul, os mercados de renda variável europeus voltaram a registrar perdas próximas a 4% horas após o anúncio da diminuição dos juros.

Por sua parte, a Bolsa de Valores de Nova York, que abriu com forte queda, registrou alta minutos depois após a decisão do Fed de cortar os juros e situá-los no patamar de agosto de 2004.

Apesar de a coordenação para reduzir os juros não ter precedentes quanto ao número de bancos centrais envolvidos, o BCE e o Fed já tinham cortado suas taxas básicas em coordenação em 17 de setembro de 2001, seis dias depois dos atentados terroristas contra Nova York e Washington. EFE ads/wr/plc

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