Primeiros usuários reclamam da falta de programação Por Rodrigo Martins São Paulo, 03 (AE) - Entre 90 milhões, eles são apenas 210 mil. Até o final de 2008, apenas 0,23% dos televisores no Brasil terão acesso à TV digital.

Em um ano de implementação do novo sistema, os vilões que dificultaram sua proliferação foram a desinformação, os preços altos, a disponibilidade em poucas cidades - cinco capitais até agora -, a pouca programação em alta definição (HD) e a ausência da prometida interatividade.

Segundo dados da Eletros, que reúne os fabricantes de eletrônicos, de dezembro de 2007 a dezembro de 2008, de 100 a 120 mil conversores e 90 mil TVs com receptor embutido terão sido vendidos. Os dados mostram que esses equipamentos não foram os preferidos pelos consumidores precoces - os chamados "early adopters" -, que optaram em sua maioria por receptores móveis, como o celular com TV .

E quem comprou está satisfeito? Segundo telespectadores, a qualidade de recepção é ótima, embora haja regiões em que nem todos os canais são sintonizados. Mas falta o principal: conteúdo em alta definição. Com exceção da Rede TV e da Band, a maioria das emissoras exibe menos de 10% da programação em HD (veja abaixo).

O técnico em informática Evelson Adriano, de 23 anos, é o típico "early adopter". Em 2006, já havia comprado uma TV de alta definição. "Esperei um ano ansioso para a estréia da TV digital. Em novembro, quando saíram os primeiros conversores, comprei logo o meu. Na estréia, já estava assistindo às imagens em alta definição", diz ele, que pagou R$ 1.100 por um aparelho que custa hoje cerca de R$ 300.

Ele diz que não se arrepende de ter pago caro e que as imagens "são maravilhosas". O problema é o que assistir. "Fiquei decepcionado com a Globo e o SBT, com poucos filmes e programas em HD."
Já o engenheiro carioca Sergio Rogienfisz, de 46 anos, esperou um pouco mais para adquirir um decodificador. Pagou mais barato: R$ 600. Mas teve um problema: mesmo depois de instalar uma antena externa em seu apartamento na Barra da Tijuca, no Rio, só consegue captar uma única emissora, a Globo.

"Mas esse não é o maior problema, pois só comprei pela Globo, porém ainda há muito pouca coisa em HD no canal", diz ele, que também assina TV paga, mas não pensa em migrar para um serviço em HD. "Eles estão cobrando muito caro e não trazem quase nenhum conteúdo em alta definição. Não vou pagar R$ 800 num conversor que não é meu (veja na pág. 4)."
PELO CABO E VIA SATÉLITE - Quem decidiu optar pela alta definição por TV paga ou satélite também reclama da falta de programação em HD. No caso dos serviços por assinatura, a Net, por exemplo, traz hoje só um canal fechado. Já a TVA, dois. Além disso, nenhuma das duas têm todos os canais abertos em alta definição.

Isso fez o editor de arte Marcelo Souza, de 35 anos, ter se arrependido de aderir ao serviço Net HD. "Paguei pela adesão pensando que em breve teria mais programação fechada em alta definição. Mesmo tendo a função de gravar, paguei muito por muito pouco", diz. "Como a maioria dos canais em alta definição que tenho são os abertos - e mesmo eles não transmitem muito em HD -, se a Net me devolvesse o dinheiro do conversor compraria um receptor para a TV digital aberta."
Assinante da TVA HD, o arquiteto Luiz de Jesus Junior, de 34 anos, tem a mesma queixa. "Deveria haver pelo menos dez canais pagos em HD. Pelo contrato, além do conversor, não preciso pagar durante um ano a taxa extra na assinatura para ter os canais em HD. Quando tiver de renovar o contrato, não vou mais querer o serviço."
Mesmo na parabólica convencional, gratuita, quem aderiu à alta definição - com Band e Rede TV em HD - também reclama.

"Os outros - Globo, SBT e Record - não estão em HD. E, entre as duas emissoras disponíveis, só a Rede TV transmite todo o tempo em HD", diz Augusto Souza, de 51 anos, que mora em Vitória (ES) e não quis esperar pela chegada da TV digital à sua cidade.

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