O colossal orçamento do presidente americano Barack Obama, inchado para relançar a economia nacional, corre o risco de sofrer alguns cortes por parte do Congresso, que devolveu nesta quarta-feira sua primeira versão do projeto de orçamento 2010.

Dirigindo-se na terça-feira à noite aos americanos durante uma entrevista coletiva à imprensa, Obama considerou que seu orçamento é "imprescindível para a recuperação econômica". Ele se reuniu nesta quarta-feira com seus antigos colegas do Senado para convencê-los a adotar seu plano.

Após o encontro, o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, disse esperar que o projeto de lei seja aprovado na próxima semana pela Câmara Alta.

Mas diversos democratas e republicanos estão alarmados com as últimas estimativas do déficit público, que deverá atingir o montante recorde de 1,845 trilhão de dólares no próximo exercício orçamentário (outubro de 2009 a setembro de 2010), ou seja, o equivalente a 13,1% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo números da Comissão de Orçamento do Congresso (CBO, em inglês).

A comissão prevê um aumento de 7% somente nas despesas de funcionamento dos organismos federais, excluindo o orçamento da defesa.

"Nosso objetivo é passar de um déficit de 1,7 trilhão para 508 bilhões em 2014 (...)", declarou Kent Conrad, presidente da Comissão de Orçamento, que também apresentou suas emendas.

Em cinco anos, as propostas apresentadas por Kent Conrad economizariam 160 bilhões em despesas consideradas "discricionárias" (Exército, Polícia federal, estradas), mais de 200 bilhões em despesas "obrigatórias" (segurança social, sistema de saúde) e 157 bilhões em termos de receitas.

Na Câmara dos Representantes, seu colega John Spratt estipula cortes parecidos no projeto que apresentará nesta semana.

O diretor de Orçamento de Obama, Peter Orszag, desmentiu que as emendas propostas pelos dois políticos despedacem o projeto da presidência.

"Estes projetos talvez não sejam os irmãos gêmeos do plano apresentado pelo presidente, mas eles são incrivelmente parecidos", declarou.

O projeto do governo Obama, que aumenta as despesas em mais de 3,5 bilhões de dólares, foi entregue ao Congresso no final de fevereiro.

Os republicanos denunciam um orçamento que, segundo eles, "gasta demais, empresta demais e taxa demais", uma crítica que encontra um eco razoável na esquerda.

O senador democrata moderado Evan Bayh declarou na terça-feira: "A maior parte dos economistas diria que quando você aumentar a dívida não é viável a longo prazo".

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