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Primeiro dia foi inútil, diz Amorim

A Casa Branca exige concessões do Brasil no setor automotivo, manobra para rachar o Mercosul, e a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) adverte o governo brasileiro que rejeita a abertura ampla do mercado. Ontem, o governo americano se reuniu com o Itamaraty e avisou que, hoje, apresentaria sua proposta de cortes de subsídios, esperada por todos como o elemento que vai destravar a Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Agência Estado |

Irritado e sem conseguir fazer avançar os temas, o chanceler Celso Amorim criticou o encontro. Para ele, as reuniões de ontem foram "inúteis". "Sem surpresas, mas também sem idéias. Estamos no mesmo ponto de antes da reunião", afirmou Amorim ao finalizar o primeiro encontro de ministros de cerca de 40 países.

"Talvez tenha sido uma reunião necessária, mas totalmente inútil do meu ponto de vista, porque não houve nenhuma idéia nova, nenhuma sugestão. Esperemos até amanhã, as pessoas precisam expressar suas posições", acrescentou. O corte de subsídios é considerado o objetivo central dos países emergentes, o que acabaria com distorções nos mercados.

Mas, para que os americanos revelem o quanto estão dispostos a cortar em subsídios, Washington quer concessões e manobra para rachar o Mercosul. Amorim garante que, se não houver uma proposta de corte de subsídios pelos americanos, terá de pensar no que fará. "Vamos ter de refletir se vale. Por enquanto, temos apenas promessas. Eu disse aos americanos que um corte significativo vai gerar muitas outras propostas. Mas eu, por enquanto, não vi nada da parte deles."

A representante de Comércio dos Estados Unidos, Susan Schwab, foi mais positiva ao comentar o primeiro dia de debates. "Alguns países começaram realmente a falar sobre o que podemos fazer, focalizando no que podem e não podem fazer." Só não disse o que irá propor.

"Estamos preparados para fazer a nossa parte e sabemos que teremos de fazer uma contribuição. Mas não vamos agir sozinhos. Precisamos que outros mostrem concessões. Somos um alvo conveniente para outros países que não querem tratar de outros temas", disse Schwab. "Precisamos de acesso a mercados em todos os setores, principalmente nos emergentes que mais crescem."

A idéia da Casa Branca é de que o Brasil teria maior manobra para flexibilizar sua posição no setor industrial. Mas estaria preso à Argentina, que não dá sinais de conceder um só milímetro em acesso aos produtos industriais. Fontes de Washington confirmaram ao Estado que a estratégia americana nos próximos dias é a tentar isolar a Argentina e outros países considerados "problemáticos", entre eles a Venezuela.

Mercosul

Em vários, momentos, os americanos questionaram se o Brasil, isoladamente, não poderia fazer uma concessão. Mas, ontem, Amorim reiterou a Susan Schwab que "nada na Rodada Doha colocará a sobrevivência do Mercosul em risco".

Durante a reunião, os dois países ainda falaram sobre a situação na Argentina, e o governo americano questionou o Brasil sobre a possibilidade de uma queda grande nas tarifas para o setor automotivo, hoje de 35%. Ao saber da cobrança, os representantes da Anfavea que foram a Genebra responderam: "Nem pensar".

Amorim ficou irritado com a reunião de ontem, que não tratou de substância e apenas falou de aspectos políticos e da importância da Rodada. O chanceler optou então por falar até de imigração e disse que o protecionismo agrícola está relacionado ao fluxo de ilegais nos países ricos. "Essas coisas estão muito ligadas. Os subsídios que distorcem os mercados roubam empregos e exigem que as pessoas saiam de seus países."

Ontem, o diretor da OMC, Pascal Lamy, alertou que os países teriam de escalar o Mont Blanc nos próximos dias. Amorim retrucou, alertando que não subiria o Mont Blanc pelo preço de um Everest.

O encontro de ontem teve cenas inusitadas, como a cesta que o comissário de Comércio da UE, Peter Mandelson, recebeu da delegação francesa, repleta de produtos da Europa. Os franceses, porém, alertaram: vieram a Genebra para garantir que Mandelson não faria concessões exageradas. "Vou precisar de um psicólogo depois de tudo isso", admitiu o mediador das negociações de produtos industriais, Don Stephanson.

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