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Na primeira pesquisa realizada pelo Banco Central após a manutenção da taxa básica de juro da economia na semana passada, as previsões do mercado para a inflação subiram mais uma vez. A estimativa dos analistas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2010 avançou pela nona semana consecutiva, de 5,03% para 5,10%.

Para o próximo ano, a expectativa teve alta pela segunda vez seguida, de 4,6% para 4,7%. Nos dois casos, a aposta do mercado está acima do centro da meta para o ano, de 4,5%.

"As expectativas estão se afastando perigosamente rápido do centro da meta, especialmente a de 2011. O fato de o BC ter optado pela manutenção da Selic e ter jogado para o próximo Copom a decisão sobre os juros contribuiu para este cenário mais puxado da inflação esperada", diz o economista-chefe da Gradual Investimentos, Pedro Paulo Silveira, em relatório aos clientes.

A previsão do IPCA para 2010, por exemplo, estava em 4,5% em meados de janeiro. Desde então, subiu 0,6 ponto em nove semanas. Para o próximo ano, a estimativa subiu 0,2 ponto em apenas duas semanas. Outro índice em firme ascensão é o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), que reajusta contratos de aluguel, cuja expectativa para 2010 sobe há dez semanas seguidas e já está em 6,5%.

A subida da inflação está diretamente relacionada à atividade aquecida. Com a reação da economia, há maior demanda por mercadorias e serviços e empresas encontram a chance de reajustar preços. Na pesquisa do BC, a previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010 subiu de 5,45% para 5,50% no estudo divulgado ontem. A expansão da economia deve ser liderada pela indústria, que deve crescer 8,79%, estima o mercado.

Diante da escalada da inflação e com a manutenção do juro na reunião do Copom da semana passada, analistas preveem que a Selic deve subir no encontro de abril. O início do ciclo de aperto monetário deve vir com aumento de 0,5 ponto porcentual, o que levaria a taxa para 9,25%.

Depois, são esperadas altas idênticas nos encontros de junho, julho, setembro e outubro. Assim, a taxa Selic estaria em 11,25% a partir de outubro.

Desaceleração. A inflação menos intensa no setor industrial atacadista (de 1,64% para 0,52%) conduziu à leve desaceleração na taxa da segunda prévia do IGP-M, que passou de 1,10% para 0,91% de fevereiro para março. Para o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, as desacelerações e quedas de preços no atacado estão muito "espalhadas" entre os preços industriais, tanto na indústria alimentícia quanto no fornecimento de insumos para manufatura.

No caso da cadeia alimentícia, houve forte desaceleração de preços em produtos alimentícios e bebidas (de 2,71% para 0,03%). Isso porque o movimento de alta expressiva no preço do açúcar aparentemente chegou ao fim: o produto no atacado mostrou queda de 0,06% na segunda prévia de março, após subir 18,12% em igual prévia em fevereiro.

Além disso, foram detectados movimentos de enfraquecimento na inflação de celulose, papel e produtos de papel (de 2,21% para 0,62%); e em materiais para manufatura (de 2,73% para 1,31%). Derivados de petróleo também mostraram desaceleração expressiva no mesmo período (de 1,68% para 0,03%). As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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