BRASÍLIA - A ampliação da previsão para o déficit nas transações correntes do País para US$ 33,1 bilhões em 2009 é resultado direto do agravamento da crise financeira internacional e da consequente perspectiva de retração da economia global, justificou nesta terça-feira o Banco Central (BC). A variável mais agressiva para o aumento da projeção do déficit do ano que vem, segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, foi o recuo no saldo comercial, de US$ 25 bilhões neste ano para US$ 17 bilhões.

"A queda reflete a crise", disse Lopes, admitindo que a autoridade monetária ainda está otimista em relação a alguns analistas, que projetam saldo comercial negativo para 2009.

Para este ano, o déficit na conta corrente também foi reprojetado, de US$ 21 bilhões para US$ 28,8 bilhões. Mas a autoridade monetária manteve a expectativa de superávit comércio exterior em US$ 25 bilhões.

Lopes destacou que mesmo com recuo no saldo, a corrente de comércio deve subir em 2009. As exportações são previstas em US$ 217 bilhões, alta de 9,5% sobre os US$ 198 bilhões deste ano. E as importações crescerão 43%, para US$ 200 bilhões, ante US$ 173 bilhões deste ano.

A segunda variável na piora da conta corrente é a conta de serviços e rendas, tendo como principal pressão as remessas de lucros e dividendos das multinacionais, que em 2008 bateram todos os recordes.

A saída de divisas de serviços e rendas foi reestimada de US$ 49,8 bilhões para US$ 57,6 bilhões em 2008. E está prevista em US$ 54,1 bilhões em 2009.

As remessas de lucros e dividendos são esperadas em US$ 33 bilhões neste ano, e em US$ 30 bilhões no próximo, porque "há a expectativa de uma crescimento menor da economia brasileira, portanto, com menos lucros para as multinacionais", disse Lopes.

Leia mais sobre déficit em conta corrente

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.