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As projeções para a inflação em 2010 subiram pela 12.ª semana seguida.

As projeções para a inflação em 2010 subiram pela 12.ª semana seguida. Segundo pesquisa do Banco Central, a expectativa do mercado para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou de 5,18% para 5,29%, afastando-se ainda mais do centro da meta para o ano, de 4,5%. Para tentar conter a escalada dos preços, analistas apostam que o Comitê de Política Monetária (Copom) vai elevar ainda este mês o juro básico da economia (a taxa Selic) em pelo menos 0,5 ponto porcentual. A subida de preços não acontece apenas no varejo. Para o Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M), que é diretamente influenciado pelas oscilações no atacado, a previsão para 2010 saltou de 6,80% para 7,69% em apenas uma semana. O indicador reajusta contratos de aluguel. Essa tendência de alta já influencia o cenário para o próximo ano, o que preocupa analistas. Para 2011, a expectativa para o IPCA passou de 4,74% para 4,8%, também acima da meta. "Apesar de estarem desacelerando na margem e ainda sofrerem influência dos preços in natura (alimentos), os números de março demonstram que podemos estar diante de uma inflação de demanda", alerta a economista-chefe da Rosenberg & Associados, Thaís Zara, em relatório. Serviços. A percepção é baseada no comportamento de vários indicadores, mas principalmente dos serviços. Nesse segmento, a alta de preços em 2010 já acumula 3,16% e os principais itens continuam em firme tendência de aumento. Diferentemente de outros setores da economia, serviços respondem mais rapidamente à demanda crescente porque não há possibilidade de importação. Não é possível, por exemplo, importar um corte de cabelo. Além disso, Thaís observa que há reajustes no atacado que podem ser repassados ao consumidor, como na siderurgia e construção civil. Para evitar o descontrole dos preços, o mercado prevê que o BC começará a elevar o juro no encontro do Copom marcado para os dias 27 e 28 de abril. Na pesquisa Focus, prevaleceu a expectativa de que a Selic deve aumentar 0,5 ponto, para 9,25% ao ano. Mas já há uma parte expressiva dos analistas que aposta em aumento maior, de 0,75 ponto. Thaís Zara é uma das que preveem um início do ciclo de aperto monetário mais forte. "Na semana que passou, o presidente do BC, Henrique Meirelles, deu várias entrevistas reforçando a necessidade de se manter a inflação sob controle, o que apenas corrobora nossa expectativa de alta de 0,75 ponto em abril." Na pesquisa do BC, prevaleceu a expectativa de que o ciclo de aumento do juro deve elevar a Selic em 2,5 pontos durante os próximos meses, até atingir 11,25% no fim do ano. <i>As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.</i>
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