Levantamento do Ipea mostra que renda proveniente da Seguridade saltou de 8% em 1978 para 20% em 2008

Cada vez mais a Previdência Social tem importância na renda dos brasileiros. Estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que, em 30 anos, a renda proveniente da Seguridade saltou de 8%, em 1978, para 20% no rendimento familiar em 2008. O aumento mais sensível foi observado entre os anos de 1988 e 1998, por conta da entrada em vigor de novos dispositivos constitucionais.

“O contínuo aumento da participação destas rendas até 2008 revela o grande impacto da política de recuperação do salário mínimo, bem como o importante aumento da cobertura de programas de transferência de renda focalizados, como o Programa Bolsa Família e outros análogos, implementados pelas esferas subnacionais de governo”, diz o Ipea.

Segundo o levantamento, a renda proveniente da Ocupação caiu nos últimos 30 anos: de 86,7% para 76,5% dos rendimentos familiares. 

A renda familiar do brasileiro

Veja a composição dos ganhos das famílias nas décadas de 1970, 1980, 1990 e 2000 (em %)

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Fonte: PNAD/IBGE

Embora tenha beneficiado, em sua maioria, as camadas sociais mais pobres da população, a Previdência aumentou sua participação na renda familiar de todos os estratos sociais. Para os mais pobres a Previdência representa 25% dos rendimentos. Para as famílias que ganham um salário mínimo, os ganhos com a Seguridade chegam a responder por 29% da renda.

O Ipea mostra que, em 1978, 26,9 milhões de pessoas viviam com menos de um quarto de salário mínimo per capita; sem as transferências, este número aumentaria 18%, pulando para 31,8 milhões. “Já em 2008, eram 18,7 milhões nesta situação, mas, sem as transferências, seriam 40,5 milhões, ou seja, mais do que o dobro (aumento de 116%).”

Estados

Na análise por Estados, as famílias do Piauí respondem pela maior necessidade da Previdência na participação da renda familiar, com 31,2% do total. A média nacional ficou em 19,3% em 2008. Em seguida, aparecem Paraíba (27,5%) e Pernambuco (25,7%). Os Estados de Roraima, Mato Grosso e Amapá estão na outra ponta da tabela, com 10,1%, 9,9% e 8,3% de participação, respectivamente.

Segundo o Ipea, a variação pode ser justificado pela conjunção de diversos fatores: dinamismo maior ou menor do mercado de trabalho, presença maior ou menor de idosos, percentual da população abaixo da linha de pobreza, dentre outras
questões.

“De modo geral, percebe-se que as transferências sociais adquirem uma importância bem acima da média nacional nos Estados do Nordeste e no Rio de Janeiro, e bastante abaixo da média nacional nas regiões Norte e Centro-Oeste.”

Embora a região Nordeste mostre a maior participação da Previdência na renda familiar, a maior parte dos recursos é destinada a outra região. As famílias do Piauí, onde a dependência da renda previdenciária chegou a 31% do total, recebem apenas 1,7% do valor total distribuído na forma de transferências.

“De outro lado, as famílias no estado de São Paulo receberam 23,5% do valor total das transferências; ainda que esse volume de recursos represente ‘apenas’ 16,4% da renda das famílias nesse Estado”, completa o Ipea.

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