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O Banco Central (BC) deve elevar a taxa básica de juros (Selic) em 0,75 ponto porcentual nesta quarta-feira, para 13,75% ao ano, segundo a aposta de analistas do mercado financeiro. Para eles, a queda da inflação está localizada nos alimentos.

Outros produtos, principalmente serviços, continuam em alta. E o consumo, que dá fôlego aos preços, continua aquecido.

Outro elemento de risco ganhou força na semana passada: a desaceleração da economia norte-americana. Se o real se desvalorizar, pode haver altas de preços no mercado interno.

Uma nova alta na Selic pode causar descontentamento no governo, segundo admitiu ao Estado o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. "Sabemos que as decisões (sobre juros), a maior parte das vezes, dão uma polêmica enorme", disse. "Mas a avaliação que faço é que, se olharmos o atacado nesses quase seis anos de governo Lula, o Banco Central teve um índice de acerto muito grande."Ele atribuiu a perspectiva de alta de 0,75 ponto às "cornetas do mercado". "Isso, na verdade, traduz as apostas feitas por eles", comentou.

"A alta de 0,75 ponto é ponto pacífico, pacífico e triste, porque poderia ser menos", disse o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves. Para ele, a queda dos índices de inflação pouco influenciam porque o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC olha a inflação futura.

No presente e no futuro, a alta dos preços é um risco. "Se olharmos os núcleos técnicos, não tem refresco", disse ele, referindo-se ao cálculo da inflação que desconsidera itens como alimentação em casa e tarifas. "A difusão aumentou. Há mais itens com alta do que antes", comentou.

A pressão para a indústria elevar preços continua, segundo o estrategista-chefe do Banco BNP Paribas, Alexandre Lintz. A alta das commodities, que puxou a inflação nos últimos meses, deu sinal de trégua, mas os produtos continuam caros. Nesse quadro, o industrial tem duas alternativas: reduzir a margem de lucro ou reajustar. "O que ele vai fazer, depende do BC", disse. A alta nos juros deixaria menos espaço para elevar preços.

O Copom também leva em conta a atividade econômica, que continua em alta. Segundo o IBGE, a atividade industrial aumentou 1% em julho, ante junho.

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