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Pressão cambial continua preocupando Copom, dizem economistas

SÃO PAULO - Continua bastante nublado o olhar dos economistas sobre a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada hoje. Como era de se esperar, a incerteza sobre o rumo da política monetária no encontro de dezembro persiste e as avaliações divergem bastante sobre o que é preciso fazer neste momento.

Valor Online |

Mas os especialistas concordam em uma coisa: o Banco Central continua bastante cauteloso com o impacto da alta do dólar sobre a inflação no curto prazo e não há como descartar a hipótese de retomada do movimento de alta da Selic.

Ainda que haja um tanto de ceticismo em relação a tal possibilidade, economistas notaram na ata que o colegiado não está suficientemente convencido de que a desacelaração econômica no Brasil seja suficiente para atuar sobre a pressão inflacionária vinda do câmbio desvalorizado.

Para Wladimir Caramaschi, estrategista-chefe do banco Credit Agricole, o BC deve manter mais uma vez inalterada a taxa de juro em 13,75% em dezembro. "Mas na ata isso não fica claro", diz, afirmando que o documento foi bem mais conservador do que o esperado.

O estrategista reforça ainda que a preocupação com a inflação corrente e com as expectativas de mercado foi ressaltada na ata ao reforçar o compromisso do BC em fazer a inflação convergir para o centro da meta ainda em 2009.

"Dadas as condições atuais, é mais fácil que o dólar escorregue para R$ 2,40 do que retorne a R$ 1,70. E é com esse risco que o BC tem que estar preocupado", diz Sergio Vale, economista chefe da consultoria MB Associados. Vale ampara seu argumento em experiências de pressão cambial em 1999 e 2002, quando a desaceleração da economia não foi suficiente para mitigar a alta de preços transmitida pelo dólar valorizado.

Para ele, a reunião de dezembro do Copom pode esbarrar em dificuldades maiores para se chegar a uma decisão, sobretudo se a apreensão global continuar e a crise de confiança e de liquidez se prolongar. A decisão pode vir a ter um complicador político que tornaria custoso elevar juro em pleno mês de Natal.

Isso poderia impedir uma ação mais restritiva do BC, tendo em vista a intenção do governo de preservar o crescimento econômico. Segundo Vale, portanto, é possível que a Selic seja mantida em 13,75% ao ano. "Mas não dá para excluir a hipótese de que haja subida da taxa", acena.

O quadro de indefinição também é mencionado pelo economista chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa, em relação à ata do Comitê que, segundo ele, "carregou mais as tintas na preocupação com a inflação". O fato de o documento reforçar a intenção de buscar inflação no centro da meta no ano que vem também sinalizou que será feito o que for preciso para isso.

Rosa acredita, no entanto, que na reunião derradeira de 2008, o BC possivelmente manterá o juro. "O mais importante será monitorar até que ponto a desvalorização cambial vai bater nos preços e nas expectativas de inflação", afirma.

Para o economista da Sul América, dentro o conjunto de variáveis monitoradas pelo BC, as acompanhadas mais de perto daqui para o final do ano serão as expectativas de inflação, divulgadas semanalmente pelo próprio BC por meio do Boletim Focus.

Já Sergio Vale avalia que além do câmbio, os indicadores de atividade e demanda serão os mais observados pelo BC daqui para frente. O colegiado deve monitorar o impacto da desaceleração antes de definir a decisão de dezembro. Nesse sentido, Caramaschi, do Credit Agricole, concorda que o comportamento do crédito, das vendas no varejo e na indústria serão os melhores sinalizadores para calibrar a política monetária até a reunião do dia 16 de dezembro.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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