Por John Crawley e Helen Massey-Beresford WASHINGTON/PARIS (Reuters) - O governo norte-americano tomou controle da indústria de veículos dos Estados Unidos nesta segunda-feira, forçando a saída do presidente-executivo da General Motors, pressionando a Chrysler em direção a uma fusão e ameaçando de falência ambas as montadoras.

Os movimentos seguem a decisão da PSA Peugeot Citroen de afastar seu presidente-executivo, Christian Streiff, substituindo-o pelo ex-chefe do grupo siderúrgico Corus Philippe Varin, a partir de 1o de junho.

As ações da GM despencavam cerca de 20 por cento em Frankfurt após as medidas da comissão automotiva da Casa Branca terem marcado uma chocante reviravolta para a administração da empresa e da Chrysler e credores que apostavam no resgate das companhias.

Na França, o presidente da PSA, Thierry Peugeot, afirmou em comunicado que as dificuldades excepcionais enfrentadas pelo setor garantem uma mudança na administração, mas Streiff se defendeu dizendo que suas decisões prepararam o grupo para enfrentar a turbulência.

O governo Obama se comprometeu apenas em financiar as operações da GM pelos próximos 60 dias, enquanto desenvolve um plano de reestruturação mais abrangente, em vez de atender o pedido da montadora de fornecer mais 16 bilhões de dólares em empréstimos.

O presidente-executivo da GM, Rick Wagoner, que presidiu a companhia desde o ano 2000, passando por seu rápido declínio nos últimos cinco anos, foi tirado do posto efetivamente nesta segunda-feira, após o pedido do presidente da comissão automotiva da Casa Branca, Steve Rattner. Grande parte do conselho de administração da montadora também será substituído.

SOB ATAQUE

Fritz Henderson, próximo de Wagoner e vice-presidente de operações da GM foi nomeado novo presidente-executivo da montadora. A renúncia forçada de Wagoner aconteceu enquanto o governo Obama permanece sob ataque por não impedir o pagamento de bônus a executivos da AIG.

Essa foi apenas a segunda vez que o governo dos Estados Unidos forçou a saída de um presidente-executivo após resgate da companhia desde que a crise financeira começou no segundo semestre do ano passado.

Robert Willumstad perdeu seu posto como dirigente da AIG em setembro, em decorrência do resgate de 85 bilhões de dólares da seguradora pelo governo norte-americano.

Na Europa, as ações de fabricantes de veículos com as preocupações sobre o impacto da falência de uma grande montadora norte-americana no setor como um todo.

Muitos analistas esperavam que o governo Obama iria assumir uma linha mais suave com a GM e a Chrysler depois que sinalizou intenção de proteger empregos dos 160 mil funcionários norte-americanos empregados pelas duas montadoras.

A Chrysler, controlada pela Cerberus Capital Management, recebeu 30 dias para completar a aliança com a Fiat ou enfrentar interrupção do financiamento do governo que pode forçar sua liquidação.

A comissão da Casa Branca rejeitou afirmação da Cerberus de que a Chrysler pode ser viável. A comissão citou o tamanho relativamente pequeno da montadora, fraca linha de produtos e queda na participação de mercado nos Estados Unidos.

REESTRUTURAÇÃO AGRESSIVA

Se a Chrysler conseguir completar uma aliança com a Fiat e acordos de redução de custos com credores e com o principal sindicato de metalúrgicos, o Tesouro vai considerar investir outros 6 bilhões de dólares na montadora, segundo autoridades.

Representantes do governo dos Estados Unidos disseram que têm alcançado progresso nas últimas negociações envolvendo a força tarefa da Casa Branca. A Fiat concordou em assumir menos dos 35 por cento de participação na Chrysler negociados inicialmente.

Enquanto isso, Henderson, um dos principais arquitetos do plano de recuperação da GM, agora rejeitado, foi encarregado de trabalhar com autoridades do governo dos EUA e consultores para desenvolver uma reestruturação mais agressiva.

A GM pediu mais de 16 bilhões de dólares em novos empréstimos do governo, enquanto a Chrysler quer 5 bilhões de dólares para sobreviver ao mais fraco mercado de veículos novos em quase 30 anos.

Desde 2005, quando seus problemas começaram a se acumular no mercado norte-americano, a GM já perdeu em torno de 82 bilhões de dólares. As ações da montadora também já despencaram perto de 95 por cento desde que Wagoner assumiu o posto de presidente-executivo.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.