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Presidente do Peru pede fim das tarifas no comércio com o Brasil

SÃO PAULO - O presidente do Peru, Alan García, fez ontem, quinta-feira, um apelo público ao presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, para acelerar o fim das tarifas de importação entre os dois países, o que, pelos tratados atuais, só deve acontecer daqui há 15 anos.

Valor Online |

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"Nosso crescimento atual nos permite fazer um acordo mais rápido. Faço aqui um pedido público" , disse. A solicitação foi feita, em São Paulo, diante de Lula, ministros brasileiros e peruanos e de uma platéia de empresários dos dois países, reunidos na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

García também pediu ao Brasil que assuma um papel de " protagonista " para impulsionar a unidade do continente latino-americano, " que está sacudido por diversidades ideológicas " , referindo-se às diferenças entre Venezuela, Bolívia e Equador, países de orientação de esquerda, e Colômbia e Peru, com uma visão mais conservadora. " Levante a bandeira da integração, que nós o seguiremos " , disse o presidente peruano, referindo-se a Lula.

Pela manhã, antes de se encontrar com o presidente brasileiro, García havia sido mais incisivo e chegou a falar em um acordo bilateral entre Brasil e Peru. O país andino já possui acordos com diversos países, como os Estados Unidos. "Quando vimos que a Rodada Doha não teve nenhum resultado, nós pleiteamos ao Brasil um profundo acordo bilateral" , afirmou. "Os blocos são instrumentos para a integração. Não são fins em si mesmo" , completou.

À noite, pouco antes do discurso de Lula, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, também fez um apelo por um acordo bilateral. " Que o acordo entre o Peru e o Brasil sirva de exemplo para o pós-Doha. A rodada não teve o sucesso esperado. Os acordos bilaterais, começando por este, são uma nova fase " , disse.

O presidente brasileiro abandonou seu pronunciamento oficial e fez um discurso de improviso, defendendo veementemente a integração latino-americana. " Finalmente a América do Sul começou a se descobrir " , disse Lula. " Por muito tempo ficamos de costas um para o outro " , reforçou o presidente.

Lula não fez qualquer menção a um possível acordo bilateral com o Peru e voltou a defender as negociações da Rodada Doha, da Organização Mundial de Comércio (OMC). " Não conseguimos fechar Doha, mas nunca estivemos tão perto, e ainda pode sair. " Ele afirmou que os países em desenvolvimento nunca tiveram tanta força nas negociações comerciais. " O Brasil não quer mais ser coadjuvante na política mundial " , disse.

Sem se referir diretamente à crise que atravessa a Bolívia, Lula afirmou que a integração do continente passa pela compreensão da necessidade de " autodeterminação " dos povos. " Nenhum país pode querer ter ingerência sobre o outro " , afirmou. Em conjunto com os demais países da Unasul, o governo brasileiro está tentando negociar uma saída para o conflito boliviano, entre a oposição e o presidente Evo Morales.

Lula voltou a defender sua política externa, que privilegia os países em desenvolvimento. " Muitos não acreditavam e diziam que era inútil dar preferência para os países da América do Sul. " O presidente brasileiro utilizou uma metáfora e disse que até " na casa da gente, não gostamos de nos relacionar com os países mais pobres " . Ao final do evento, Lula arrancou gargalhadas da platéia ao afirmar que " a nossa querida Fiesp não se reúne só para analisar as reuniões do Copom, mas também para discutir o futuro dos países " .

Ontem, durante todo o dia, empresários brasileiros e peruanos se reuniram na Fiesp. Segundo a entidade, foram mais de mil encontros de negócios. De janeiro a agosto deste ano, as exportações brasileiras para o país andino somaram US$ 1,5 bilhão, alta de 39,7% em relação a igual período de 2007. Já as importações brasileiras de produtos peruanos atingiram US$ 703 milhões, alta de apenas 4%. O Brasil apurou saldo comercial de US$ 827 milhões com o Peru de janeiro a agosto, conforme dados fornecidos pelo Ministério do Desenvolvimento.

Leia mais sobre o relacionamento bilateral entre o Brasil e o Peru

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