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Presidente do Equador ameaça expulsar Odebrecht

O presidente do Equador, Rafael Correa, classificou de tremendamente lesivos os contratos que seu país tem com a construtora brasileira Norberto Odebrecht e pediu que a empresa conserte rapidamente os defeitos em suas obras ou abandone o país. Se não prestarem contas, terão de sair, afirmou Correa, na noite de domingo.

Agência Estado |

Ele ameaçou a Odebrecht porque a usina hidrelétrica San Francisco, erguida por um consórcio entre Odebrecht, Va Tech e Alston, está parada desde 7 de julho por problemas na construção. A empresa rebateu as acusações.

Correa acusou ainda a empreiteira brasileira de corrupção. "Quanto mais escavo, mais pus encontro. Esses senhores têm sido corruptos e corruptores, compraram funcionários do Estado", disse. Segundo o presidente equatoriano, "o que fizeram é um assalto ao país".

A San Francisco é a primeira usina no mundo totalmente subterrânea, programada para responder por 12% da energia hidrelétrica do país. Está localizada ao lado do vulcão Tungurahua, a 220 km de Quito, e usa águas do Rio Pastaza. Custou mais de US$ 282 milhões e somente os reparos estão orçados em aproximadamente US$ 12 milhões, segundo o Conselho Nacional de Eletricidade do Equador (Conelec).

Desde quarta-feira, quando o governo deu o ultimato à Odebrecht, a presença de soldados na usina de San Francisco é constante. Um dia antes, o presidente da estatal Fundo de Solidariedade, responsável pelo assunto, Jorge Glass, havia dito que a construtora deveria fazer os consertos logo, ou abandonar o país. "Se a Odebrecht não responder de imediato a cada uma das exigências, que se prepare para deixar o país, porque todos os contratos que tem com o Estado acabarão."

A Odebrecht tem vários contratos em andamento no Equador, como a construção de uma estrada, um aeroporto e outra usina hidrelétrica.

Depois das ameaças de expulsão e das duras declarações de Correa, o ministro de Eletricidade e Energias Renováveis, Alecksey Mosquera, amenizou ontem o discurso e disse que a e Odebrecht reagiu "corretamente" à situação. "Estamos encontrando pontos em comum", afirmou.

O governo brasileiro preferiu relevar as ameaças de Correa por considerar que houve politização das denúncias. Fontes do Itamaraty explicaram que qualquer reação oficial desencadearia uma tensão inútil entre os dois países, o que poderia afetar as negociações em curso entre a empresa e a área técnica do governo de Quito, assim como obras de outras companhias brasileiras no Equador.

"Como a questão foi politizada por Correa, que aparentemente precisa de um inimigo externo, o Itamaraty teve de agir com cautela e, assim, evitar hostilidades, serenar os ânimos e favorecer o diálogo entre a empresa e o governo equatoriano", afirmou um diplomata.

O Itamaraty assegura que a Odebrecht e os órgãos técnicos do governo do Equador estão a ponto de selar um acordo, que envolverá a reparação da obra e o pagamento de indenização. Essa negociação foi intermediada pela Embaixada do Brasil em Quito.

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