Washington, 12 out (EFE).- O presidente do Citibank, William Rhodes, afirmou hoje que a atual crise financeira é a pior em seus 50 anos como banqueiro e pediu que as medidas anunciadas pelo Grupo dos Sete (G7, grupo dos países mais industrializados do mundo) sejam aplicadas com urgência.

"Esta é a pior crise em meus 50 anos como banqueiro", declarou Rhodes em coletiva de imprensa organizada pelo Instituto de Finanças Internacionais (IIF, em inglês), que reúne cerca de 400 bancos de todo o mundo.

"Nem na crise de dívida da década de 80 nem na crise asiática dos anos 90" ocorreu "a erosão na confiança dos mercados que experimentamos nestes momentos", disse Rhodes.

Os responsáveis por traçar "as políticas mundiais têm que se movimentar com rapidez", acrescentou.

Ele disse acreditar que a série de princípios contra a crise anunciada na sexta-feira pelos países do G7 - Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, Reino Unido, Itália e França - será acompanhada de ações concretas de forma imediata.

"O que importa são ações, não palavras", disse o presidente do Citibank, que destacou que em uma situação como a atual é melhor pecar por excesso, que por falta, na hora de tentar restaurar a confiança perdida.

Por sua vez, Josef Ackermann, presidente do gigante bancário alemão Deutsche Bank, disse que "é essencial voltar a restaurar a confiança".

"Isso requer tanto ações coordenadas a nível internacional quanto esforços decididos por parte das próprias instituições (financeiras)", destacou Ackermann.

O diretor do Deutsche Bank considerou um "erro" os EUA terem permitido a quebra do banco de investimento Lehman Brothers, o que, segundo ele, intensificou de forma dramática a crise nesse país e provocou uma queda em cadeia dos mercados mundiais.

"É compreensível do ponto de vista político", opinou Ackermann sobre a decisão do Governo americano.

"Mas dado que nos encontrávamos perante uma crise que não tínhamos visto (...) anteriormente, certamente foi um erro", acrescentou.

A quebra do Lehman Brothers provocou, segundo Ackermann, o aumento do desconcerto entre os investidores e os próprios bancos, ao não saberem se Washington e o resto de centros financeiros mundiais sairiam ao resgate ou deixariam as entidades entrarem falirem.

Isso provocou uma queda brusca das ações dos bancos americanos e de outros países e o congelamento dos mercados creditícios, que ainda não recuperaram a confiança perdida apesar das medidas excepcionais adotadas pelos Governos e bancos centrais das nações desenvolvidas desde a quebra do Lehman. EFE tb/ab/rr

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