Arantxa Iñiguez Frankfurt (Alemanha), 7 ago (EFE).- O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, disse hoje que o Conselho de Governo não tem uma predisposição sobre a taxa de juros, o que significa que ele não prevê sua modificação em breve.

Depois que o principal órgão executivo do banco europeu deixou inalterada a taxa de juros em 4,25%, Trichet afirmou que seu principal objetivo é manter a estabilidade de preços dos países que compartilham o euro e que fará o possível para isto.

O Banco da Inglaterra também manteve hoje as taxas de juros no Reino Unido em 5% e o Federal Reserve (Fed, banco central americano) as manteve em 2% na terça-feira passada.

Os bancos centrais de todo o mundo enfrentam atualmente uma difícil situação, um aumento da inflação com um grande arrefecimento econômico, e devem conseguir o equilíbrio entre estas duas tendências com suas políticas monetárias.

Apesar de o preço do petróleo ter caído nas últimas semanas, Trichet afirmou que a estabilidade de preços também gera altos riscos.

Por sua vez, o principal diretor do BCE mostrou-se impressionado com o recente colapso em alguns indicadores econômicos mensais da zona do euro, afirmou o economista-chefe do banco alemão Commerzbank, Jörg Krämer.

Perguntado sobre se o BCE prevê que a economia da zona do euro entre em recessão, Trichet não negou esta possibilidade.

O presidente do BCE afirmou também que "se materializaram os riscos em baixa para o crescimento econômico da zona do euro, que no segundo e terceiro trimestre do ano será particularmente fraco".

O índice de gestores de compras do setor manufatureiro da zona do euro caiu para 47,4% em julho, o nível mais baixo desde junho de 2003 e comparado aos 49,2% de junho, segundo informações do Royal Bank of Scotland e da Markit.

Se este indicador estiver abaixo de 50 pontos significa que há uma contração da atividade deste setor industrial.

Segundo Krämer, o BCE manterá a taxa de juros em 4,25% até o início de 2009.

Trichet acrescentou que "o Conselho de Governo observa a fixação dos preços e as negociações salariais na zona do euro com particular atenção".

O banco europeu considera que "a mudança nos preços relativos e a transferência das receitas dos países importadores de matérias-primas para os exportadores requer uma mudança no comportamento das famílias e das companhias".

Isto significa que, segundo o BCE, as famílias e as empresas devem aceitar o aumento dos preços da energia, dos combustíveis e dos alimentos como conseqüência do encarecimento do petróleo e de outras matérias-primas.

As declarações de Trichet, que mostraram a disposição do BCE em deixar inalterada a taxa de juros nos próximos meses, arrastaram o euro para baixo em mais de US$ 0,01, para US$ 1,5355.

No início de julho, o BCE aumentou pela última vez a taxa de juros em 0,25 ponto percentual, para 4,25%, com o intuito de frear a inflação.

Há meses o BCE afirmou que há riscos de diminuição do crescimento por causa dos efeitos no consumo e de investimento dos elevados e voláteis preços do petróleo e dos alimentos.

O presidente do BCE afirmou que a taxa de inflação da zona do euro aumentou em julho para 4,1%.

Trichet qualificou como preocupante este nível de inflação e explicou que ela resulta dos efeitos diretos e indiretos do aumento dos preços da energia e dos alimentos a nível global. EFE aia/ab/fal

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