Bruxelas, 8 dez (EFE).- O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, reconheceu hoje que os juros interbancários, e concretamente o Euribor, seguem muito elevados, apesar dos esforços da autoridade monetária para que voltem à normalidade.

Em um comparecimento ao Parlamento Europeu, Trichet lembrou que, além de cortar as taxas de juros na zona do euro (em 175 pontos básicos desde setembro, até 2,5%), o BCE intensificou nos últimos meses suas iniciativas para oferecer liquidez aos bancos comerciais e compensar as dificuldades para encontrar financiamento nos mercados.

Tudo isso tem por objetivo, segundo ele, o diminuição dos juros interbancários e, em geral, a volta à normalidade no mercado de crédito.

O Euribor, taxas de juros pela que os bancos se emprestam dinheiro na eurozona e a referência mais utilizada para as hipotecas, caiu hoje abaixo de 3,7% pela primeira vez desde setembro de 2006.

Também o comissário europeu de Assuntos Econômicos e Monetários, Joaquín Almunia, considerou urgente restabelecer a normalidade no crédito, como requisito fundamental para impulsionar a recuperação econômica.

Em discurso à Eurocâmara, o comissário assinalou que as decisões de política monetária do BCE "ajudam", igual que o fornecimento de liquidez às entidades e os avais e as operações de recapitalização para os bancos iniciados em alguns países.

Mas deixou claro que tudo isso "não é suficiente porque falta confiança".

O presidente da autoridade monetária recusou antecipar aos eurodeputados quais serão suas próximas decisões sobre as taxas de juros, mas fez insistência na correção registrada pela inflação na eurozona (onde desceu a 2,1% em novembro).

Vaticinou que, dada a moderação dos preços das matérias-primas e a fraqueza da demanda, a inflação na área do euro se manterá em torno de 2%.

Deixou claro, em qualquer caso, que segue havendo riscos em médio e em longo prazo para a estabilidade de preços, pelo que o BCE continuará trabalhando para manter as expectativas de inflação em linha com o objetivo de estabilidade, para contribuir com a recuperação do crescimento, a criação de emprego e o equilíbrio financeiro.

Ao ser questionado pela maior agressividade da política monetária aplicada por outros bancos centrais, Trichet ressaltou que cada um "faz o que lhe parece apropriado levando em conta as características de sua economia".

Também defendeu a estratégia seguida de suas operações de injeção de liquidez nas quais, segundo ele, tratou de garantir às entidades o acesso a financiamento, em um contexto de tensão generalizada nos mercados, mas sem pôr em risco a integridade do BCE.

Lembrou que, além de oferecer liquidez de maneira ilimitada a um tipo fixo, o banco central decidiu ampliar de maneira temporário o catálogo de ativos que as entidades podiam oferecer como garantia em seus empréstimos ao Eurossistema.

Ele também se disse convencido de que estas iniciativas contribuíram para reduzir as tensões nos mercados e confiou na pronta recuperação dos empréstimos interbancários e da atividade de intermediação das entidades.

Trichet ainda avaliou, neste contexto, as medidas iniciadas por vários países do euro para normalizar o crédito, principalmente a concessão de garantias para os empréstimos interbancário e para as emissões de dívida e as operações de recapitalização de entidades.

EFE epn/jp

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