Londres, 2 fev (EFE).- O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, qualificou hoje de acertada a forma como o Governo brasileiro está enfrentando a crise, e elogiou o fato de não estar sendo dado dinheiro a companhias com problemas, e sim às novas empresas, que podem melhorar a produção.

Na apresentação, em Londres, do Plano Estratégico 2009-2013 da companhia, Gabrielli afirmou que o Governo de Luiz Inácio Lula da Silva está agindo "corretamente" ao não resgatar bancos e companhias, "como está acontecendo em outros países".

Ele reiterou que a companhia petrolífera não precisa de injeção adicional de capital, já que dispõe do financiamento necessário até 2010.

Além disso, o presidente da Petrobras destacou a importância da indústria petrolífera na economia brasileira, uma atividade que, afirmou, representa 10% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

Quanto à contribuição da empresa para o crescimento econômico do país, Gabrielli explicou que chegaria "a 5%".

O Plano Estratégico da companhia, divulgado na semana passada e apresentado hoje perante um grupo de analistas britânicos, implica um investimento de 174 bilhões de euros (135 bilhões de euros), o que permitirá aumentar a produção até 2,6 milhões de barris de petróleo ao dia, dos 1,8 milhão atuais.

Perguntado sobre como a baixa do preço do petróleo afetará seus projetos, o presidente da petrolífera assegurou que estão preparados para enfrentar "o cenário mais pessimista", com o barril a US$ 37 durante 2009.

No entanto, Gabrielli admitiu que se a espiral de baixa se mantiver indefinidamente, alguns programas que ainda estão em fase de desenvolvimento poderiam ser afetados.

"Nas condições atuais, há dinheiro para tudo, para manter os investimentos, a distribuição do dividendo, o pagamento dos contratos (...), mas se, em algum momento, o fluxo de caixa fosse negativo, adiaríamos os projetos que ainda não foram aprovados".

Além disso, o alto executivo assegurou que, nessa eventual situação, a companhia também poderia recorrer ao mercado em busca de financiamento, através da emissão de bônus ou pedindo ajuda aos bancos, "que não estarão destruídos e começarão em breve a emprestar dinheiro outra vez".

Gabrielli ressaltou que, no atual entorno econômico, a companhia petrolífera não pensa "em nenhum caso" em fazer demissões, mas a redução de custos será realizada "através da busca da eficiência operacional e da redução dos gastos de viagens, telefone ou comidas".

Sobre se uma possível mudança de Governo nas eleições de 2010 poderia afetar o Plano Estratégico da companhia, Gabrielli destacou que "não é algo próprio na história da Petrobras".

A petrolífera "se guia com planos de negócio que vão além do poder executivo", acrescentou. EFE avh/db

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