O presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, tem um encontro amanhã com o ministro das Comunicações, José Artur Filardi, às 14 horas, para reforçar dentro do governo a proposta feita pela operadora de assumir a dianteira do projeto de massificação dos serviços de banda larga no Brasil. A proposta da Oi foi entregue na sexta-feira à ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, e o governo já admite uma parceria com as teles, como revelou uma fonte nesta manhã à Agência Estado.

O presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, tem um encontro amanhã com o ministro das Comunicações, José Artur Filardi, às 14 horas, para reforçar dentro do governo a proposta feita pela operadora de assumir a dianteira do projeto de massificação dos serviços de banda larga no Brasil. A proposta da Oi foi entregue na sexta-feira à ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, e o governo já admite uma parceria com as teles, como revelou uma fonte nesta manhã à Agência Estado. Segundo um técnico do setor, a Oi se propõe a cobrar R$ 35 pelos serviços de internet rápida aos clientes que já têm uma linha telefônica da Oi. Mas, nos locais onde as ligações ainda tiverem de ser feitas, o preço ao consumidor final subiria para R$ 45. Esses valores, correspondentes a uma velocidade acima de 600 quilobits por segundo (kbps), seriam possíveis com contrapartidas do governo, na forma de liberação de fundos setoriais das telecomunicações e eventual desoneração tributária. A iniciativa da Oi abriu caminho para que o Palácio do Planalto voltasse a pensar numa parceria com as teles. Até porque, segundo um técnico que participa das discussões, o governo já vinha tendo dificuldades de fechar as contas para o lançamento do Plano Nacional de Banda Larga, diante das sinalizações da área econômica de que não seria possível mexer no orçamento deste ano para alavancar recursos para o programa. O Plano, sem as teles, contaria neste ano apenas com cerca de R$ 200 milhões, que foram aportados para a Telebrás no fim de 2007. Neste caso, as metas de 2010, que já tinham sido redimensionadas para um projeto-piloto em 300 cidades, teriam sido reduzidas para 100 cidades. Neste cenário pouco otimista, a Oi, usando da credencial de ter 49% de capital estatal (por meio do BNDES e fundos de pensão), decidiu entrar de vez na disputa, argumentando que o governo não conseguiria oferecer serviços mais baratos, a não ser que montasse uma infraestrutura que operasse com um prejuízo considerável por um longo prazo. Os estudos do próprio governo já apontavam para a inviabilidade econômica de se oferecer produtos mais baratos, de R$ 15 e de R$ 25, como previam anteriormente os outros cenários técnicos. Em reunião realizada na última quinta-feira, dia 8, com vários ministros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já teria revelado a preocupação em não criar novas despesas para o governo. Segundo um interlocutor do Palácio do Planalto, Lula disse, no encontro, que não gostaria que a empresa de banda larga representasse um ônus para o País, e sim que servisse de instrumento para alavancar o progresso. Outro argumento da Oi é o de que a infraestrutura da empresa já está pronta - com rede principal (backbone) e ramificações - e operando em quase todo o País, à exceção de São Paulo, área de concessão da Telefônica, que já lançou um plano de banda larga em parceria com o governo do Estado. A parceria com a Oi possibilitaria ao governo federal lançar um programa que pudesse ser implementado com mais rapidez. Por outro lado, na opinião de técnicos do setor, não inviabilizaria a ideia de ter uma rede pública, usando as fibras da Eletronet, para atuar no atacado. Essa rede pública, que deverá ser administrada pela Telebrás, serviria de alternativa à rede da Oi e seria usada por outras empresas, como operadoras de telefonia celular e pequenos provedores, o que aumentaria a concorrência e contribuiria para baixar preços. Neste caso, o governo teria até mais tempo para resolver as pendências jurídicas e legais que envolvem a Telebrás e as redes da Eletronet.
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