Brasília, 14 jul (EFE).- O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, disse em Brasília hoje que as divergências dentro do Mercosul impedem que o Governo brasileiro possa avançar mais rápido nas negociações de um acordo de livre-comércio com a União Europeia (UE).

Brasília, 14 jul (EFE).- O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, disse em Brasília hoje que as divergências dentro do Mercosul impedem que o Governo brasileiro possa avançar mais rápido nas negociações de um acordo de livre-comércio com a União Europeia (UE). "Se estivéssemos sozinhos, seria mais fácil", afirmou Andrade em um pronunciamento durante o quarto Encontro Empresarial Brasil-União Europeia, realizado hoje no palácio Itamaraty. "É claro que juntos somos mais fortes economicamente, mas, por outro lado, temos divergências com a Argentina, com o Uruguai, com o Paraguai" que impedem avanços em negociações com terceiros países, declarou o presidente da CNI. O Mercosul retomou em junho as negociações para estabelecer um acordo de livre-comércio com a UE. O encontro entre empresários brasileiros e europeus ocorre em paralelo à quarta Cúpula Brasil-UE, que reúne hoje em Brasília o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os presidentes do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e da Comissão Europeia (órgão executivo da UE), José Manuel Durão Barroso. Os três líderes, cuja agenda prevê conversas sobre assuntos bilaterais e internacionais, com ênfase nas negociações para um acordo comercial entre o bloco europeu e o Mercosul, participarão ainda hoje do encerramento da reunião de empresários. Segundo Andrade, o pouco avanço das negociações brasileiras para acordos de livre-comércio se deve ao fato de que precisam ser feitas por intermédio do Mercosul "e isso dificulta os acordos". O presidente da CNI assegurou que as negociações entre o Mercosul e outros países avançam muito lentamente não só pelas divergências no bloco sul-americano, mas também pelo protecionismo que ressurgiu com a crise econômica mundial. "Somos uma economia de mercado aberta e enfrentamos problemas com mercados de economia mais fechada, inclusive com barreiras não tarifárias", comentou. Segundo Andrade, a crise econômica reduziu a demanda europeia por produtos brasileiros. "Precisamos discutir isso para abrir mercados às empresas brasileiras", afirmou. As negociações entre a UE e o Mercosul foram retomadas há um mês depois de quase seis anos paradas. O Governo brasileiro expressou seu interesse de que sejam concluídas antes de dezembro. No entanto, a crise que afeta a Europa e polêmicas medidas aplicadas pela Argentina com a intenção de proteger seu setor agroalimentar criaram novos impedimentos à negociação. EFE. cm/bba

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