O presidente da Agência France-Presse, Pierre Louette, propôs transformar a agência em uma sociedade nacional de capitais públicos e criar uma fundação que garanta sua independência, para assegurar um financiamento estável e perene, em um relatório apresentado nesta terça-feira ao governo francês.

O Estado francês havia pedido a Louette no final de 2008 que enviasse suas propostas antes de 31 de março para "modernizar" o estatuto da agência.

Louette enviou nesta terça-feira suas conclusões aos ministros da Economia, Christine Lagarde, do Orçamento, Eric Woerth, e da Cultura, Christine Albanel, em um informe intitulado "Tornando a AFP um dos líderes mundiais da informação na era digital".

Segundo uma lei de 1957 destinada a garantir sua independência, a AFP tem um estatuto sem equivalentes: a agência não tem capital e é administrada por um Conselho integrado por representantes da imprensa francesa, do setor audiovisual público, do Estado francês e dos trabalhadores.

"A AFP pode se tornar um dos líderes da informação na era digital se for beneficiada com o financiamento do seu desenvolvimento, o que apenas uma capitalização e o apoio de acionistas podem proporcionar, porque não se pode pedir ajuda ao Estado" quando é necessário financiar novos projetos, explicou Louette.

O presidente propõe transformar a AFP em uma "sociedade nacional" com 100% de capitais públicos ou mistos, como a Caixa de Depósitos e Consignações (CDC) ou a Agência de Participações do Estado.

Esta sociedade nacional seria colocada sob supervisão de uma fundação composta por personalidades qualificadas, o que seria "a melhor maneira de dar forma à garantia de independência" da redação, que é ao mesmo tempo uma "evidência" e "um imperativo comercial", considerou Louette.

Essa fundação contaria com pelo menos uma ação com direito preferencial e enfatizaria a "manutenção da composição do capital dentro dos limites fixados inicialmente", pelo respeito às obrigações fundamentais da AFP e pelo bom cumprimento das missões de interesse geral.

Em reação a estas propostas, o Sindicato Nacional dos Jornalistas da AFP (SNJ-CGT) considerou que a agência "enfrenta uma das ameaças mais graves, talvez, a mais grave de sua história".

A Sociedade dos Jornalistas da AFP indicou que está "extremamente preocupada com o desencadeamento de um processo legislativo sobre bases tão frágeis", lamentando que "questões essenciais" (composição do conselho administrativo, nomeação dos membros da fundação, do PDG...) permaneçam indefinidas.

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