Assunção, 11 fev (EFE).- Como presidente temporário do Mercosul, o Paraguai está empenhado em impulsionar a vertente social do bloco e em aproximá-lo dos cidadãos, e, para comprovar isso, sugere que a próxima cúpula de governantes termine em um estádio de futebol.

A ideia é que os cidadãos sintam as vantagens da integração, disse em entrevista à Agência Efe Alejandro Hamed, ministro das Relações Exteriores do Paraguai, país que ocupará a Presidência do Mercosul no primeiro semestre de 2009.

"Nossos cidadãos não se sentem integrantes do Mercosul. Não foi possível instalar a ideia de que somos Mercosul", embora o bloco de integração regional "complete sua maioridade (18 anos)" em março, ressaltou.

Para destacar esse aspecto, será reestruturado o Instituto Social do Mercosul (ISM), criado em 2007 e com sede em Assunção, para que seja transformado em um centro de pesquisa, de diagnóstico e de capacitação.

"Queremos levar o Mercosul às cidades do interior. Não vamos ir falar de tarifas alfandegárias, mas tentar levar o que cada um de nossos países têm em particular, em qualquer expressão, na arte, no cinema, no canto, no esporte", ressaltou.

O chanceler anunciou ainda que a próxima cúpula de chefes de Estado, com a qual será encerrada, em junho, a Presidência semestral paraguaia, será organizada de uma forma diferente, "em vez de fazê-la em um salão fechado ou um palácio", como ocorria até agora.

"Vamos fazer em um estádio de futebol, onde, após algum jogo de futebol, haja um espetáculo musical com expoentes do Mercosul e, depois, será feita a transmissão de comando", informou.

O Mercosul, formado por Paraguai, Uruguai, Brasil e Argentina, tem pendente a adesão da Venezuela como membro pleno e possui como países associados Bolívia, Chile, Equador, Peru e Colômbia.

Na última cúpula, o grupo não conseguiu resolver a eliminação da tarifação dupla dos produtos de terceiros países que ingressam no bloco.

Hamed destacou que as negociações serão reatadas em março dentro de uma série de reuniões do Grupo Mercado Comum, órgão executivo do Mercosul, cujo calendário de atividades será anunciado em 16 de fevereiro em Assunção.

Ele defendeu ainda o maior peso do comércio regional nas trocas internacionais.

Nesse sentido, citou como exemplo o Brasil. "Seu comércio com os Estados Unidos, dou valores aproximados, até pouco tempo atrás acho que representava 27% de seu volume e o regional, 16%. Agora, esses números são o contrário. O regional brasileiro ocupa o lugar do comércio do Brasil com os Estados Unidos", destacou. EFE ja/db

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