O chanceler Celso Amorim vai discutir, a partir de hoje, na Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra, estratégias para garantir melhor acesso de exportadores a créditos e evitar que a crise financeira interrompa os fluxos de exportação. Dados preliminares da OMC apontam que nem o Natal deve salvar o comércio mundial da estagnação.

A entidade projeta a interrupção do crescimento dos fluxos mundiais nos últimos três meses do ano. A estagnação, se confirmada, será a primeira em sete anos. A OMC, inspirada em uma proposta brasileira, convocou o Fundo Monetário Internacional (FMI), bancos e até o BNDES para uma reunião dia 12 com o objetivo de debater formas de destravar o comércio.

O Brasil, segundo analistas, seria um dos países mais atingidos pela falta de crédito para exportação. Não por acaso, Amorim quer discutir com o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, formas de facilitar esse acesso a créditos e flexibilizar condições para que o comércio não seja ainda mais afetado.


Na OMC, a estimativa era de que o comércio mundial teria um crescimento de 4,5% em 2008. Mas o terceiro trimestre já demonstrou uma forte queda. Há estimativas de que não haverá crescimento no quarto trimestre. A desaceleração nos Estados Unidos e no Japão, além da recessão em algumas das maiores economias da Europa, estão reduzindo de forma importante as demandas.

A quebra de empresas de brinquedos na China é, para a entidade, um sintoma dos problemas. Os chineses são os maiores fabricantes do mundo e a falência de uma empresa em plena época de contratos fechados para o Natal é considerada "reveladora". Na Europa, empresas de carros fecharam as portas por algumas semanas diante da demanda fraca.

No setor de cargas, as evidências já são claras de que há uma contração do comércio. A América Latina sofreu a maior queda em todo o mundo no fluxo de cargas aéreas em setembro. Os dados das 240 principais empresas aéreas do mundo registram queda de 14,6% no transporte internacional de cargas na região, em comparação ao mesmo período do ano passado.

No mundo, a queda é de 7,7% no fluxo internacional. Na Ásia, a queda foi de 10,6%, ante 6,8% na Europa e 6% nos EUA. A nova comissária de Comércio da UE, Catherine Ashton, alertou que o comércio mundial já está em queda. "A demanda está caindo nos mercados desenvolvidos diante de cortes de gastos por consumidores", diz Catherine. "Deveremos ver o mesmo nas economias emergentes."

No caso do Brasil, os dados preliminares da OMC apontam que as importações estão crescendo a um ritmo bem mais elevado que as exportações. "No terceiro trimestre do ano, as importações aumentaram 57%, ante alta de 39% das exportações", alertou o economista da OMC Michael Finger. Parte da explicação é o crescimento do mercado interno nesse período. Mesmo com o desempenho brasileiro, o comércio mundial deve sofrer. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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