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Preocupação de gestores com inflação é a menor desde 2001, diz estudo

SÃO PAULO - A inflação saiu da pauta dos gestores de fundos globais. A preocupação com o fenômeno, que já foi um dos maiores pontos de incerteza entre os investidores institucionais nos últimos meses, está no menor nível desde 2001, segundo a Pesquisa Mensal com Gestores de Fundos realizada pelo banco de investimentos Merrill Lynch.

Valor Online |

De acordo com o banco, a pesquisa capturou uma acentuada reversão na percepção dos gestores. Agora em agosto, 18% dos 193 gestores entrevistados esperam inflação medida pelo núcleo (variação que tira da conta o petróleo e a energia) menor dentro dos próximos 12 meses. Em junho, 32% deles acreditavam em preços maiores dentro do mesmo horizonte.

Tal mudança reflete a acentuada desvalorização no preço do petróleo e as crescentes evidências de recessão. A pesquisa aponta que 24% dos entrevistados acreditam que o mundo já está em recessão. Em julho, tal percentual era de 20% e em junho estava em 16%.

Essa clara expectativa quanto ao menor crescimento da economia mundial também levou os investidores a rever sua visão sobre as empresas. Durante o boom do crédito que durou até meados de 2007, o conselho dos gestores para as empresas era: se endividem mais. Agora, eles se mostram preocupados com o grau de alavancagem das companhias. Apenas 9% dos investidores acreditam que as empresas estão pouco endividadas. No final de 2007 tal visão era compartilhada por 40% deles.

"A mensagem dos gestores para as companhias é: Já que estamos caminhando para uma recessão, vocês devem limpar seus balanços e preparar um colchão de liquidez", afirmou a estrategista-chefe do Merrill Lynch para ações européias, Karen Olney, em comunicado. "Conforme os bancos reduzem sua alavancagem, as empresas não financeiras terão que despertar para um mundo menos flexível em termos de crédito", acrescenta.

Com a retração econômica se espalhando para a Europa e alguns mercados emergentes, os investidores passam a ver os ativos dos Estados Unidos como os mais atrativos. Sinal disso é que 12% dos gestores estão com posições acima da média em comparação com o seu referencial em ações norte-americanas. Não parece muita coisa, mas tal patamar é o maior em mais de seis anos.

Dando suporte a tal visão, está a crença dos gestores de que o dólar está subavaliado, opinião dividida por 58% dos entrevistados. Por outro lado, 71% deles acreditam que o euro está supervalorizado. Os gestores também acreditam que a perspectivas de lucro para as empresas norte-americanas é melhor do que aquela oferecida pelas companhias européias.

Na pesquisa com gestores da Europa, a baixa no preço do petróleo levou a uma acentuada realocação de portfólio, com os gestores saindo de empresas do setor e passando a apostar no segmento de consumo. Segundo a pesquisa, apenas 11% dos responsáveis pela alocação de recursos tinham posição acima da média em ações de óleo e gás em agosto, contra 52% em julho.

O Merrill Lynch questiona essa acentuada e rápida mudança de percepção, acreditando que alguns gestores deixaram de avaliar os fundamentos para o mercado de energia. O banco acredita que o setor de óleo e gás segue apoiado em preços elevados. Os analistas da instituição prevêem barril de petróleo a US$ 119 o barril no quarto trimestre.

"Enquanto assistimos a alguma redução na demanda por parte das economias desenvolvidas, os fundamentos econômicos na China e outros mercados emergentes dão suporte para que o preço do petróleo permaneça acima de US$ 100 durante 2009", alertou o chefe de pesquisas de commodities do Merrill Lynch, Francisco Blanch, em comunicado.

Ainda na pesquisa européia, a preocupação com a inflação está em patamares ainda menores do que aqueles captados pela sondagem global. Para 45% dos gestores, a inflação medida pelo núcleo deve cair nos próximos 12 meses. Em junho, 32% deles afirmavam que a inflação iria aumentar nos próximos 12 meses.

"O mercado está exagerando na reação à baixa no preço do petróleo, e os investidores parecem estar fechando os olhos para os efeitos secundários da inflação, como o aumento de salários", alertou Karen Olney.

São necessários alguns meses de menor crescimento global para termos certeza de que o dragão da inflação foi extinto, completou a estrategista.

Foram entrevistados 193 gestores na pesquisa global, responsáveis por US$ 611 bilhões, entre os dias 1º e 7 de agosto. Na pesquisa regional participaram 161 gestores, que administram US$ 432 bilhões.

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