A recuperação da demanda mundial por aço, impulsionada pela expansão das economias emergentes, levou a Gerdau a investir mais de R$ 3,5 bilhões em uma série de grandes negócios, em 2010. Entre elas estão aquisições de participações em empresas das quais já era sócia, como a Aços Villares e a Gerdau Ameristeel. Também comprou a produtora de vergalhões norte-americana Tamco e a produtora de coque colombiana Cleary. Movimentos como estes colocaram a Gerdau como a segunda empresa na categoria Empresa mais Poderosa em Fusões e Aquisições, no Prêmio Negócio do Ano iG/Insper.
Gerdau: alta no consumo mundial levou a empresa a investir R$ 3,5 bilhões em compras de outras empresas no ano passado
Na Aços Villares, a Gerdau já detinha 87% de participação acionária e, com a operação, agregou mais quatro unidades de produção e laminação de aços especiais: uma no Rio Grande do Sul, a antiga Aços Finos Piratini, em Charqueadas, e três no estado de São Paulo (Pindamonhangaba, Mogi das Cruzes e Sorocaba). A capacidade instalada atual ultrapassa 1,5 milhão de toneladas, em 15 usinas siderúrgicas e três unidades de transformação no Brasil, Uruguai, Argentina, Canadá, Colômbia, Peru, México, Estados Unidos e Espanha.
Nos Estados Unidos, a empresa adquiriu 34% da Gerdau Ameristeel por R$ 2,8 bilhões, passando a deter 100% da companhia, que teve o capital fechado. Também comprou a produtora de vergalhões Tamco, uma das maiores fabricantes desse produto na costa oeste americana, com capacidade instalada de 500 mil toneladas de aço, por R$ 283 milhões.
Como parte de sua estratégia de garantir o suprimento de carvão e coque metalúrgico, adquiriu 49,1% de participação adicional na Cleary Holdings Corp., que tem fábricas de coque metalúrgico e reservas de carvão coqueificável na Colômbia.
Investida na mineração
Com as aquisições, o faturamento bruto consolidado da Gerdau aumentou 18% no ano passado, frente a 2009, e chegou a R$ 35,7 bilhões. O lucro operacional medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) alcançou R$ 5,2 bilhões, com acréscimo de nada menos do que 36%. O destaque para esse bom desempenho foi a expansão das vendas de aços longos comuns no Brasil e de aços especiais no Brasil e nos Estados Unidos.
Segundo analistas, o grupo deve continuar crescendo de forma sustentável nos próximos anos. Estudos do World Steel Association estimam que o consumo mundial de aço deve evoluir 6% em 2011, atingindo 1,36 bilhão de toneladas, principalmente em função dos países emergentes e em desenvolvimento. Entretanto, crises como o terremoto no Japão e os conflitos no Norte da África e no Oriente Médio e a crise europeia devem ser monitorados de perto porque podem comprometer as expectativas.
Em 2011, o grupo anunciou a entrada no mercado de minério de ferro. A decisão foi bem recebida pelo mercado. Para Matias Dieterich, da corretora Solidus, os preços do produto devem manter-se firmes por mais um ou dois anos, o que dá um “viés positivo” para a avaliação dos planos da Gerdau. Para Dieterich, a verticalização, pelo menos que parcial da produção, é uma tendência que começa a se consolidar entre as siderúrgicas para escapar da concentração no fornecimento da matéria-prima, hoje nas mãos das mineradoras Vale, BHP e Rio Tinto.
Rafael Weber, do banco de investimentos Geração Futuro, lembra que o momento é bom para a mineração. De acordo com ele, é possível fazer projeções mais claras para o retorno dos investimentos planejados pela Gerdau em mineração do que para os estudos a respeito da construção de duas novas siderúrgicas no Brasil e mais uma na América do Norte, que vão depender da recuperação da demanda nesses mercados.
Fundada em 1901 por João Gerdau e seu filho Hugo ainda como Fábrica de Pregos Pontas de Paris, em Porto Alegre, a Gerdau foi considerado o décimo maior conglomerado siderúrgico do mundo pela World Steel Associaton (WSA), por sua produção de 18,7 milhões de toneladas. A Gerdau lidera a produção de aços longos nas Américas e está entre os principais fabricantes mundiais de aços especiais, segmento de mercado em que disputa com siderúrgicas asiáticas.
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