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Prefeitos defendem partilha dos royalties

Nos seus 38 anos de vida, o prefeito de Urupá, em Rondônia, jamais viu o mar. Sempre fui deixando para depois e depois, explica Célio Lang (PSB).

Agência Estado |

Nascido em outra extremidade do País, em São Miguel do Iguaçu, no Paraná, ele tinha nove anos quando se mudou, com o pai, a mãe e cinco irmãos, para Rondônia, numa viagem de ônibus que durou uma semana, e uma expectativa que durou um pouco mais - a de explorar "um novo eldorado" brasileiro.

A família, assim como a maioria dos 17 mil habitantes do município, vive da agricultura. Mesmo distante da costa (e só conhecendo o Rio de Janeiro pelas imagens da televisão), Lang acredita que é de lá, ou mais especificamente, das enormes reservas de petróleo do pré-sal - área de jazidas submarinas que vai do litoral do Espírito Santo ao de São Paulo -, que podem sair os recursos que vão engordar a receita do município.

Na última terça-feira, Célio Lang dirigiu 400 quilômetros por estradas barrentas, rumo a Porto Velho, de onde embarcou em um avião com destino a Brasília. Ele foi um dos integrantes do exército de 1.300 prefeitos que aterrissaram na capital da República para pressionar a Câmara dos Deputados a aprovar a emenda prevendo distribuição mais igualitária, entre os Estados, dos royalties do pré-sal.

"Não existe essa história de um Estado estar longe ou perto (das reservas), a bandeira do Brasil é uma só, são todas as unidades da federação que formam este país", disse. "Como o povo de Rondônia não teria direito à partilha dos royalties? O petróleo é um bem da União."A cada 40 dias, ele visita o Congresso para participar de eventos ou pedir emendas e convênios que beneficiem o município. "Sem a partilha, teríamos um Estado muito desenvolvido e os outros seguindo na pobreza", afirmou.

Segundo o prefeito, a receita de Urupá é de R$ 1,2 milhão por mês. Com os royalties, o orçamento anual engordará pelo menos R$ 500 mil. "Parece pouco, mas é quase metade do que conseguimos em 30 dias. É um dinheiro que pode ser investido em saúde, educação e infraestrutura", analisou. "Não temos indústria, a criação de gado é limitada para não desmatar, não há mecanização da agricultura, o que nos deixa dependentes dos repasses da União."
O discurso em favor da divisão dos royalties dominou o congresso promovido ontem pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) em auditório na Câmara dos Deputados.

Para o prefeito Jackson Bezerra (PSB), que carregava sobre o corpo a bandeira do município de Afonso Bezerra (RN), o dinheiro ajudará nas finanças municipais. "É um fundo para a sobrevivência de municípios falidos, como o meu", comentou ele, que prevê a chegada de mais R$ 40 mil por mês com a partilha dos royalties. Ao contrário de Lang, ele já viu o mar.

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