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Prédio e máquinas da Phihong Brasil vão a leilão

A Phihong Brasil já foi a maior empresa do pólo de tecnologia de Santa Rita do Sapucaí, no sul de Minas Gerais. Criada em 2000, chegou a faturar US$ 100 milhões por ano e a empregar 3,5 mil pessoas, fabricando carregadores de celulares, placas eletrônicas e outros equipamentos.

Agência Estado |

Uma briga entre os sócios - a taiwanesa Phihong e a PWM, de Santa Rita - praticamente tirou a empresa do mercado. O que restou hoje foram cerca de 20 funcionários, cerca de R$ 80 milhões em dívidas fiscais e de R$ 16 milhões em passivos trabalhistas e um prédio, com todas as máquinas e instalações, que vai a leilão em 8 de outubro, sob ordem da Justiça do Trabalho de Santa Rita.

A fábrica, com 37 mil metros quadrados e 10,5 mil metros construídos, foi avaliada em R$ 11,5 milhões. O leilão inclui também várias máquinas, como uma injetora com preço mínimo de R$ 150 mil. A venda despertou o interesse de várias empresas, brasileiras e multinacionais com atuação no Brasil.

Inicialmente, o leilão havia sido marcado para 30 de outubro, mas, por causa de uma audiência de conciliação com um fornecedor que cobra na Justiça o que tem para receber, marcada para 9 de outubro, foi antecipado. A Justiça do Trabalho teme um pedido de falência da Phihong Brasil, o que poderia fazer com que os ex-funcionários levassem alguns anos para ser indenizados.

Os sócios brasileiros e chineses têm versões bem diferentes dos motivos da briga, que originou cerca de 80 ações na Justiça. Luciano Lamoglia, sócio da PWM e ex-presidente da Phihong Brasil, acusa os chineses de terem tentado assumir o controle administrativo da empresa, para aumentar o repasse de resultados do Brasil para Taiwan. Os chineses acusam Lamoglia de má gestão, que teria levado à situação que se encontra hoje a empresa.

A Phihong taiwanesa tem 60% do capital da Phihong do Brasil, e a PWM 40%. Apesar de minoritários, os brasileiros eram responsáveis pela administração da empresa. "A Phihong tinha grande confiança na administração centralizada nos brasileiros", disse o advogado Luiz Tarcísio de Paiva Costa, representante dos sócios chineses no Brasil. "Mas, em 2006, houve medidas administrativas que, no entender do sócio majoritário, causou prejuízo à operação."

Lamoglia nega. "Chegamos a ser 30% do faturamento global e ter a maior margem de lucro entre as operações da Phihong", disse o acionista da PWM. Segundo ele, o problema começou em 2005, quando a Phihong teria interrompido o fornecimento de componentes para a subsidiária brasileira, por querer cobrar mais. "É só consultar os registros da empresa, para ver que a maior parte dos componentes veio sempre de Taiwan, inclusive nessa época", disse Costa, da Phihong.

A briga acabou obrigando a Motorola do Brasil, um dos clientes da Phihong no País, a importar os componentes diretamente, repassando-os para a fábrica de Santa Rita do Sapucaí para a montagem de carregadores de celular. A Phihong acabou perdendo o contrato mundial da Motorola por causa da situação.

O fato que acabou levando os sócios chineses a afastarem judicialmente os brasileiros da administração foi uma autuação da Phihong Brasil pela Receita Federal. Lamoglia comprou créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), com deságio de outras empresas, para reduzir o pagamento de impostos. Mas a Receita Federal não aceitou os documentos e autuou a empresa.

Segundo Lamoglia, da PWM, os chineses aprovaram a operação. Costa, da Phihong, disse que a dívida tributária prejudicou o caixa da empresa e a obtenção de benefícios fiscais necessários para a continuar a operar. As informações são da edição de sábado do O Estado de S. Paulo.

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