Entenda os índices de inflação http://ultimosegundo.ig.com.br/economia/2008/07/13/para_especialistas_governo_deve_atuar_alem_do_bc_1439510.html target=_topPara especialistas, governo deve atuar além do Banco Centralhttp://ultimosegundo.ig.com.br/economia/2008/07/13/consumidor_sente_a_inflacao_no_bolso_e_reclama_1439512.html target=_top Consumidor sente inflação no bolso e reclama" /
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Preços estão subindo, mas não é o caso de perder o sono

Os preços estão subindo mais rápido. O consumidor que passeia no supermercado e nas lojas percebe que itens do dia-a-dia, como tomate, arroz, feijão, roupas e eletrodomésticos, estão mais caros. Mas apesar da aceleração dos índices de inflação e das reclamações de consumidores e empresários, especialistas dizem que não é o caso de perder o sono por causa dos preços. http://ultimosegundo.ig.com.br/economia/2008/07/13/entenda_os_indices_de_inflacao_1439509.html target=_topEntenda os índices de inflação http://ultimosegundo.ig.com.br/economia/2008/07/13/para_especialistas_governo_deve_atuar_alem_do_bc_1439510.html target=_topPara especialistas, governo deve atuar além do Banco Centralhttp://ultimosegundo.ig.com.br/economia/2008/07/13/consumidor_sente_a_inflacao_no_bolso_e_reclama_1439512.html target=_top Consumidor sente inflação no bolso e reclama

Paula Leite, repórter Último Segundo |

Em junho, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor ¿ Amplo, que é a medida usada pelo governo para monitorar os preços, subiu 0,74%, um pouco menos que os 0,79% registrados em maio.

Mas nos 12 meses até junho os preços subiram 6,06% - acima do chamado teto da meta do Banco Central, que trabalha com a meta de inflação de 4,5% ao ano ¿ com tolerância de dois pontos para cima ou para baixo.

Mas não precisa perguntar ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para saber que os preços subiram. Tudo aumentou! Material de limpeza, papel higiênico, carne. O arroz disparou! Faço compras de acordo com as promoções. A opinião é da paulistana Maria de Jesus, 49, mas também está na boca de muitos outros consumidores.

As reclamações sobram muitas vezes para os alimentos, que de fato vêm tendo peso grande nas altas nos índices de inflação. Os culpados pela disparada de preços, na avaliação de parte dos especialistas e do governo, são o petróleo e o aumento da demanda mundial por alimentos.

Tem mais pobres comendo, graças a Deus, tem mais chineses comendo, tem mais indianos comendo, tem mais africanos comendo, tem mais brasileiros comendo, tem mais latino-americanos comendo, e a produção de alimento não cresceu proporcionalmente à demanda que a sociedade está tendo, avaliou recentemente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ressaltou também que a crise de alimentos é passageira.

Críticos dos biocombustíveis, principalmente fora do Brasil, também põem a culpa no etanol, que roubaria cana-de-açúcar e milho, além das terras em que são plantados, que antes iam para alimentação. O governo brasileiro argumenta que o álcool da cana-de-açúcar, ao contrário dos biocombustíveis produzidos com milho e outros grãos, não figura entre as causas do aumento dos preços dos alimentos.

Produtores agrícolas e feirantes colocam a culpa no fato de que agricultores estão trocando a produção de alimentos variados por commodities como cana, soja e milho, que dão mais dinheiro. Estão plantando outras coisas. Invés de tomates e arroz, as pessoas preferem plantas cana e soja. Dá mais dinheiro e tem mais incentivo. Por isso, o preço dos alimentos está mais caro. É muita procura para uma oferta que só cai, diz João Antônio, feirante há 22 anos.

O pessoal do Sul trocou tomate por milho. No Rio, pararam de produzir. Além disso, no inverno, a produção também cai. Mas não creio que preço irá voltar a cair após o inverno. É um aumento consolidado, diz Carlos Batista, revendedor de tomate na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp).

Não só alimento

Mas nem todos os especialistas acham que a inflação importada explica a alta dos preços. Não acho que a inflação lá fora está contaminando os preços aqui. Acho que é uma inflação de demanda verdadeira, diz Luiza Rodrigues, economista do banco Santander.

Ela, que também acha que não é o caso de se desesperar com a inflação, acredita que o aumento da demanda, por causa de fatores como a expansão do crédito e de empregos, está acima do crescimento da oferta, e com isso os preços sobem ¿ e não só os de alimentos.

André Brás, economista da Fundação Getúlio Vargas, concorda. O aumento dos alimentos responde por 70% da inflação, mas já notamos que muitos serviços que fazem parte da rotina estão apresentando aumento, como passagens de avião, cinema, até o cafezinho. Isso prova que o que existe é uma inflação de demanda, puxada pelo aumento da renda.

Nos dados do IBGE há exemplos do que dizem os economistas. Os seis produtos que mais subiram de preço neste ano são alimentos ¿ mas o sétimo é o ingresso para jogo, que subiu 33,7%.

Depilação, cursinho e curso de idiomas todos subiram 7% no ano. Já o grupo alimentação fora de casa acumula alta de 5% em 2008 - tudo isso pesa no bolso do consumidor.

Mas Luiza Rodrigues lembra também que os índices de inflação, por não terem mudanças constantes em sua composição e no peso dos itens, não captam as mudanças de hábito dos consumidores quando os preços começam a subir. Uma das principais, segundo ela, é que o freguês muda de marca ¿ deixa de comprar a marca de primeira linha para adquirir uma mais barata. O problema é na classe baixa, onde não há espaço, já que esse consumidor já compra marca mais barata.

Outra mudança de comportamento é parar de comprar certos produtos. A carne está cara. Antes eu comprava filet mignon, coxão mole, fígado. Agora, não compro filé, está R$ 30,00. Comprei patinho e frango, diz a paulistana Maria José.

Tenho comprado as mesmas coisas, mas reduzido supérfluos. Doces, por exemplo, conta a aposentada Edna Morrone. Bacalhau e camarão ainda compro, mas bem menos. Os almoços em família com bacalhau estão ficando cada vez menos freqüentes. O que é uma pena, porque eu adoro bacalhau. Com essas mudanças, o consumidor vai reduzindo o impacto dos preços no seu bolso enquanto o alívio não vem.

*Com reportagem de Mariana Sant´anna e Bruno Rico

 

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