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SÃO PAULO - Contrariando vários argumentos para um aumento dos preços do petróleo, os contratos futuros da commodity fecharam em baixa. Mesmo com a redução dos estoques americanos, os riscos trazidos pelo furacão Ike no Golfo do México, ou o surpreendente corte na cota de produção da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep), os agentes trabalharam focados na sinalização de retração global da economia e, consequentemente, da demanda futura pelo produto.

Como resultado, prevaleceu na sessão o comportamento de venda dos contratos do produto, tanto de outubro quanto de novembro, os mais líquidos.

O contrato de WTI negociado para o mês de outubro em Nova York fechou cotado a US$ 102,58, com queda de US$ 0,68. O vencimento para o mês seguinte caiu US$ 0,74, para US$ 102,62. Em Londres o barril de Brent para o próximo mês perdeu US$ 1,37, para US$ 98,97. O contrato para novembro fechou valendo US$ 100,75, com desvalorização de US$ 1,26.

Contribuiu para a baixa o fato de a Agência Internacional de Energia (AIE) ter reduzido sua projeção de demanda por petróleo tanto em 2008 como em 2009.

A procura pelo produto no mundo deve ficar em média em 86,8 milhões de barris por dia, ou 100 mil barris diários a menos do que o projetado anteriormente. No próximo calendário, a previsão é de uma demanda média de 87,6 milhões de barris por dia, ou 140 mil barris diários abaixo do calculado antes.

Ainda assim, os preços chegaram a subir ao longo do pregão após a Opep definir um corte na produção do cartel de 520 mil barris diários. No encontro, realizado ontem e hoje, o cartel observou que o mercado de petróleo está bem abastecido e que os preços do petróleo recuaram significativamente nas últimas semanas, por conta da debilidade econômica mundial e de um abrandamento no crescimento da demanda por petróleo.

A cota total de produção dos países pertencentes à Opep, ajustada para incluir Angola e Equador e descontando Indonésia e Iraque, totaliza 28,8 milhões de barris diários. Anteriormente, esse nível excedia 29 milhões de barris.

O corte de produção, variável que normalmente pressionaria os preços do produto para cima, era praticamente descartado ontem por alguns importantes países membros do grupo, como Arábia Saudita e Venezuela.

Não bastasse isso, o Departamento de Energia dos Estados Unidos reportou uma queda de 5,9 milhões de barris nos estoques de cru na semana de 5 de setembro. Os níveis de gasolina declinaram em 6,5 milhões de barris e as reservas de destilados encolheram em 1,2 milhão de barris. A diminuição dos estoques gerais era aguardada por conta da paralisação das atividades produtivas do Golfo do México quando da passagem do furacão Gustav pela região.

Sobre o assunto, aliás, vale mencionar outro aspecto que não também não impediu a baixa dos produtos. Os novos boletins meteorológicos dão conta de que o furacão Ike retomou força e era qualificado com categoria 2 nesta tarde em que se dirige para o Golfo do México, com possíveis riscos para a infra-estrutura produtiva.

(Valor Online, com agências internacionais)