Porto Alegre, 27 - Embora o reajuste do preço mínimo de trigo não tenha chegado aos 25% reivindicados pelos produtores, os novos valores são um estímulo à cultura, avalia o assessor econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Flávio Turra. O Conselho Monetário Nacional aprovou ontem a criação de três categorias de preços e corrigiu os preços em 5,54% (trigo brando), 10,42% (trigo pão) e 15,63% (trigo melhorador).

Turra lembra especialmente que as variedades mais produzidas no Paraná, das classes pão e melhorador, tiveram maior aumento. Além disso, este é o segundo ano em que os valores do cereal ganham correção.

A indústria tem avaliação oposta, embora elogie o estímulo dado às variedades de maior demanda no mercado nacional. "Alguma coisa está errada nesse cálculo do governo", contesta o empresário Lawrence Pih, do Moinho Pacífico. O preço mínimo ficou "em descompasso" com o praticado no mercado internacional, avalia o empresário. Ele argumenta que, por causa do Mercosul, o custo de produção da Argentina é a principal referência para o Brasil. "A Argentina consegue produzir com menos da metade do nosso custo", compara. O país vizinho produz trigo com custo de US$ 100 por tonelada, mas o governo oferece preço mínimo de R$ 530 por tonelada na Região Sul (trigo pão), cita Pih, ante uma cotação em Chicago de US$ 183 por tonelada para março ou abril.

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