SÃO PAULO - A maioria dos contratos de petróleo negociados no mercado internacional fechou com queda de preços, sob influência dos dados de emprego nos Estados Unidos, que reforçaram a percepção de redução da demanda por combustíveis naquele país. O contrato de WTI negociado para o mês março em Nova York fechou a US$ 40,17, com baixa de US$ 1,00. Já o vencimento para o mês seguinte subiu US$ 0,39, para US$ 46,15.

Em Londres, o barril de Brent para o mês que vem fechou valendo US$ 46,21, com recuo de US$ 0,25. O contrato para abril declinou US$ 0,16, para US$ 47,99.

Conforme o Departamento de Trabalho dos EUA, o número de vagas eliminadas em janeiro nos Estados Unidos foi o mais expressivo desde o fim de 1974, com fechamento de 598 mil postos de trabalho. A taxa de desemprego foi a 7,6% no primeiro mês de 2009, a mais alta desde setembro de 1992.

A leitura óbvia é de que pelo menos 600 mil pessoas não precisam mais dirigir para ir ao trabalho diariamente desde o mês passado.

Os agentes do segmento avaliam que a recuperação efetiva dos preços do petróleo depende intrinsecamente da melhora da economia e da demanda global. Sem isso, o mais comum são espasmos de ajuste e retomada da trajetória de queda para patamares em torno de US$ 40.

Além de indicadores mostrando aprofundamento da crise econômica, os investidores também têm monitorado com atenção o levantamento semanal das condições de estoques, que há meses vem mostrando acúmulo.

Parte desse aumento nas reservas é creditada a um tipo de distorção do mercado, chamada de "contango". Ocorre que as refinarias preferem estocar o produto de venda no curto prazo e estender a comercialização para meses seguintes, que apontam valorização do produto, como mostra o contrato de abril em Nova York, que subiu.

Nem mesmo a alternativa de corte de produção vem tendo impacto relevante sobre os preços da commodity. Mais uma vez correm comentários a respeito de um novo corte da cota produtiva dos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) em março.

Ainda que a disposição do cartel seja mesmo de reduzir o ritmo, seria a terceira iniciativa do tipo desde a piora da crise. Nas outras ocasiões, a reação do mercado foi pontual, sem impacto efetivo sobre as cotações do produto ao longo dos meses. Não se espera efeito diferente numa próxima ocasião.

(Bianca Ribeiro | Valor Online, com agências internacionais)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.