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Preço de títulos podres que governo dos EUA quer comprar salta até 15%

SÃO PAULO - O valor de mercado de alguns dos títulos podres que o Tesouro dos Estados Unidos pretende comprar na operação de salvamento do sistema financeiro deu um salto desde que começaram os rumores sobre o plano de US$ 700 bilhões do secretário Henry Paulson, na última quinta-feira. O preço de títulos considerados não tão ruins já subiu mais de 15% em uma semana, enquanto os papéis realmente tóxicos tiveram a cotação elevada entre 5,5% e um pouco menos de 8%.

Valor Online |

Apesar da falta de liquidez desses títulos - um dos principais motivos para o agravamento da crise, aliás - a consultoria Markit calcula e divulga diariamente o índice ABX.HE, cujo objetivo é dar uma idéia para o mercado sobre o valor de tais papéis. Os preços são alimentados e usados pelos principais bancos dos EUA.

Mesmo com a recente alta, os papéis seguem bastante descontados em relação ao seu valor de face e com cotação bem inferior à verificada no final do ano passado. O ABX.HE indica que os papéis com classificação AAA (a melhor possível) das hipotecas concedidas no segundo semestre de 2007 foram negociados a 45,07% do seu valor de face na quarta-feira (dia 17) e subiram para 52,21% ontem.

O mesmo comportamento foi visto com o papel de mesma classificação referente às hipotecas do primeiro semestre do ano passado - o valor de mercado subiu de 47,00% para 54,44%. Já o preço dos papéis com classificação BBB- (a mais baixa analisada pelo índice) subiu de 5,32% do valor de face na quarta-feira para 5,61% na terça, no caso das hipotecas do segundo semestre de 2007. Nos títulos BBB- ligados aos empréstimos concedidos na primeira metade do ano passado, a cotação subiu de 4,95% para 5,33%.

Com base nesses números, faz um pouco de sentido a tese do presidente do Federal Reserve (Fed), Ben Bernanke, de que a perda para o contribuinte norte-americano deve ser bem inferior ao volume total de US$ 700 bilhões do plano. Ele argumentou ontem, durante audiência no Senado, que "não se trata de um gasto" deste valor. "É uma aquisição de ativos e, se os leilões forem conduzidos corretamente, o contribuinte americano não sairá perdendo. E, conforme a economia se recupera, a maioria, ou talvez até mais do que o valor inicial, será recuperado com o tempo", afirmou.

De fato, se o Fed comprasse esses papéis com base no preço de mercado atualmente, não estaria pagando necessariamente tão caro. Na virada do ano, por exemplo, os papéis com classificação AAA estavam sendo negociados acima de 75% do valor de face. Antes do estouro da crise, em meados do ano passado, eles valiam sistematicamente 100% do valor nominal.

Ainda que o Tesouro dos EUA provavelmente vá perder dinheiro com o negócio, vale ressaltar que esses títulos teoricamente mais seguros só vão virar pó realmente se todos os mutuários de hipotecas ficarem inadimplentes nos EUA e se o valor de venda das casas que lastreiam os créditos for igual a zero, o que não parece ser uma hipótese realista.

Acontece que, estando na carteira dos bancos, esses papéis precisam ser contabilizados pelo valor de mercado. Ou seja, se eles tivessem que vender os títulos naquele momento, quanto os investidores estariam dispostos a pagar por eles. Em momentos de pânico, esse valor pode realmente chegar a zero, mesmo que tanto o vendedor quanto o possível comprador saibam que, no longo prazo, esses papéis terão algum valor. E cada desvalorização representa um novo prejuízo e exige um aumento do capital próprio do banco, o que aumenta o risco de quebra das instituições caso elas não consigam dinheiro novo.

Nas mãos do Tesouro dos EUA, além de a marcação a valor de mercado não ser uma obrigação - já que eles podem carregar os títulos até o vencimento - uma queda no preço de negociação dos títulos, ainda que gere perdas se os papéis forem realmente revendidos, não obrigará qualquer injeção de capital.

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