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Pesquisa da Fundação Procon de São Paulo (Procon-SP) revelou que o valor da cesta básica do paulistano recuou 1,34% em novembro, passando de R$ 297,06 em outubro para R$ 293,08 no mês passado. Até novembro, a cesta básica acumula alta de 13,34% no ano e de 17,25% nos últimos 12 meses.

De acordo com o levantamento, dos 31 produtos pesquisados em novembro, 16 apresentaram alta, oito diminuíram de preço e sete permaneceram estáveis. A queda em novembro foi influenciada pelo recuo dos preços de produtos contidos no grupo Alimentação, que foi de 2,15%. Já os grupos Higiene Pessoal e Limpeza apresentaram altas de 3,45% e de 1,41%, respectivamente.

Produtos

Entre os alimentos, o Procon destacou entre as maiores quedas o feijão carioquinha (pacote de um quilo), com recuo de 24,52%; a farinha de mandioca torrada (pacote de 500 gramas), com oscilação de 4,20%; ovos brancos (dúzia), com variação de 3,33%; óleo de soja (900 mililitros), com diminuição de 3,20%; e carne de segunda sem osso (quilo), com perda de 2,87%.

A pesquisa ressaltou que a queda de 1,96% do arroz tipo 2 (pacote de cinco quilos), apesar de não ter sido tão expressiva quanto as outras, também contribuiu para a descompressão do preço da cesta básica no mês passado.

Segundo o Procon, o preço do feijão, que foi o grande vilão da inflação no primeiro semestre deste ano, entrou em tendência de queda na segunda metade de 2008. "O grande volume esperado para a primeira safra de feijão, conhecida como safra das águas e responsável por cerca de 50% da produção nacional, fez o preço do produto despencar nos últimos meses", afirmou a entidade. De acordo com o levantamento, a queda de 24,52% deste mês foi a maior desde julho de 1999, quando o preço do produto diminuiu 57,87%.

Já o preço da farinha de mandioca caiu em função da retração da demanda por parte de muitas fecularias, mesmo com a oferta menor do produto, explicou o Procon.

O barateamento do óleo de soja, por sua vez, está ligado à queda da cotação do produto no mercado internacional, em função das preocupações com a economia mundial, explicou o Procon. "O mercado está oscilando e as vendas estão paradas", disse a entidade, acrescentando que o produto tem sofrido quedas acentuadas na Bolsa de Mercadorias de Chicago. "De acordo com os analistas de mercado, os compradores adotaram uma postura cautelosa, em meio aos temores de recessão mundial e desaquecimento da demanda por alimentos", apontou o Procon.

A queda do preço da carne foi atribuída à baixa oferta de animais, provocada, por sua vez, pelo elevado índice de descarte de matrizes nos dois últimos anos. Segundo o Procon, muitos frigoríficos interromperam os abates em algumas unidades e deram férias coletivas para outras, fazendo com que os preços recuassem nas últimas semanas. O Procon ressaltou ainda que preço do boi gordo no mercado internacional também recuou, devido à pressão por redução de preços por parte de importadores com problemas de crédito, em especial russos.

Já o arroz, após a forte alta verificada em maio, passou a oscilar, segundo o Procon. O ritmo de comercialização do produto esteve lento nas últimas semanas e algumas indústrias permaneceram fora do mercado por vários dias, em razão de fracas vendas do arroz beneficiado. Com a demanda enfraquecida, o preço do produto também caiu.