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São Paulo, 17 - Os preços da cebola devem voltar a subir a partir desta segunda quinzena de outubro, em função da diminuição no ritmo de colheita da cebola paulista e com o término da safra goiana. Segundo o pesquisador Yuri Uchoa Rodrigues, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), os preços da cebola tiveram queda expressiva em setembro, após registrar oito meses seguidos de valores elevados.

Yuri Uchoa explica que a maior oferta, decorrente do pico de safra das regiões paulistas de Monte Alto e São José do Rio Pardo, juntamente com a colheita da área plantada no repasse no Vale do São Francisco pressionaram as cotações em setembro. "A cebola nordestina e a paulista desvalorizaram 53,3% e 36%, respectivamente, em relação a agosto."

O Cepea apurou que em setembro houve oferta de cebola chilena e espanhola no atacado de São Paulo (Ceagesp). "Apesar do grande volume de cebola nacional no mercado, atacadistas justificam que a cebola importada vem como uma alternativa ao consumidor. A cebola chilena, por exemplo, é um produto diferenciado (de pele vermelha), o que atrai consumidores." O valor médio de setembro negociado pela cebola chilena foi de R$ 18,50 a caixa de 20 quilos, valor 10% superior à da cebola produzida em São Paulo (R$ 16,80). No caso da cebola espanhola, as compras se deram por conta do baixo preço, que chega ao atacado custando apenas R$ 17,00 caixa."

Segundo Yuri Uchoa, as regiões paulistas de São José do Rio Pardo e Monte Alto colheram e comercializaram, até o início de outubro, cerca de 85% da área total cultivada, com o restante devendo ser colhido até o fim do mês. O rápido avanço da colheita, diz ele, se deve à antecipação da safra na segunda quinzena de julho, por causa dos preços elevados na época. "Além disso, o encurtamento do ciclo ocasionado pelo forte calor em setembro também influenciou o avanço da colheita."

Ele observa que, mesmo com a forte desvalorização da cebola em setembro, os produtores paulistas devem fechar a safra com rentabilidade positiva. "Até setembro, o preço médio recebido pelo produtor ponderado pela área colhida foi de R$ 0,82/ kg, valor duas vezes superior ao mínimo necessário para cobrir os gastos com a cultura na região."

Em relação à produção do Cerrado, Ucho afirma que a oferta de cebola de Minas Gerais e de Goiás deve reduzir em outubro, devido à proximidade do final da safra. Até setembro, foi colhida e comercializada cerca de 95% da área total cultivada na região de Cristalina (GO) - o restante deve ser colhido até a primeira quinzena deste mês. Ele comenta que os produtores goianos obtiveram uma ótima rentabilidade nesta safra. O preço médio recebido pelo produtor, ponderado pela área colhida, foi de R$ 0,95 o quilo, valor duas vezes superior ao mínimo necessário para cobrir os gastos com a cultura na região. Em Minas Gerais, vários agricultores já finalizaram a colheita.