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Preço da carne volta a assustar consumidor

Depois de dar uma trégua ao bolso do consumidor no início do ano, o preço da carne bovina voltou a subir com intensidade. Em junho, a alta foi de 9,34%, de acordo com o Índice de Custo de Vida (ICV) do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese).

Agência Estado |

O índice havia sido negativo até março, evidenciando queda nos preços. Em maio, subiu 2,94% e, agora, disparou.

Dados do Dieese mostram que a carne já consome 3,64% do orçamento das famílias. "Pode até parecer pouca coisa. Mas se somarmos o aumento da carne aos reajustes nos preços de outros alimentos básicos concluiremos que o poder de compra do brasileiro tem diminuído bastante e que está cada vez mais caro comer", afirma José Maurício Soares, coordenador da pesquisa de preços do Dieese para produtos da cesta básica.

A advogada Cristiane Brunini, de 33 anos, afirma que, há dois meses, gastava cerca de R$ 36 a cada compra no açougue. Agora, para levar para casa dois quilos de filé mignon e um quilo de contrafilé, os dois cortes de carne que mais consome, ela desembolsa R$ 45, ou seja 25% a mais. "Com o aumento, eu passei a pesquisar preços em mais de um açougue", diz. "Também aproveito para fazer compras às quartas-feiras, dia de promoção em um açougue próximo à minha casa."

Os açougueiros também reclamam. Para Helder Zianeto, do açougue Pantanal Carnes, na Zona Norte da Capital, o aumento do preço do produto tem feito a clientela comprar menos. "As pessoas não deixam de vir, mas levam menos carne para casa", afirma.

Maio é o mês em que se inicia a entressafra da carne, que costuma perdurar até agosto. O tempo seco dificulta o crescimento do capim. E com pasto ralo, o gado fica mais magro. "Nenhum fazendeiro quer abater um boi magro, pois vai perder dinheiro", explica Soares, do Dieese. Por isso, a oferta de carne diminui, fazendo o preço subir até que o boi engorde.

Mas, além da entressafra, neste ano, outros dois fatores contribuíram para que o preço da carne bovina aumentasse. Em 2006, a febre aftosa atingiu o gado brasileiro. Com a identificação da doença, as exportações foram prejudicadas. E muitos fazendeiros optaram por abater seu rebanho, mesmo antes do período recomendado. "O custo de produção da carne estava muito alto, o que prejudicava as finanças dos pecuaristas, que já enfrentavam um período difícil por conta das restrições ao produto", diz Soares. A conseqüência está aparecendo só agora: como os bois morreram antes do tempo, os bezerros que restaram ainda estão muito jovens para serem abatidos. "Agora os fazendeiros estão com as finanças equilibradas. Eles só vão abater os seus bezerros quando o valor de mercado realmente compensar", afirma Soares.

Outro fator que contribuiu para a alta da carne foi a queda de boa parte das restrições que a Europa fazia ao gado brasileiro. Com a liberação da carne ao mercado europeu, exportar voltou a ser mais vantajoso que vender o produto no Brasil.

Soares afirma que os consumidores só podem esperar queda nos preços lá por agosto. "Isso, se chover", diz. "Quem quer carne mais barata deve torcer para que a estiagem termine o quanto antes."

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