São Paulo, 28 - Os preços recebidos pelos produtores rurais paulistas tiveram alta de 0,27% na terceira quadrissemana de janeiro. Os dados foram divulgados hoje pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo.

O índice dos produtos de origem vegetal (IqPR-V) fechou em elevação de 1,08%, enquanto o indicador dos produtos de origem animal (IqPR-A) registrou queda de 1,74%.

No período analisado, 9 produtos apresentaram alta de preços (7 de origem vegetal e 2 de origem animal) e 10 apresentaram queda (6 de origem vegetal e 4 produtos de origem animal). Segundo o IEA, os produtos do IqPR que tiveram maiores aumentos na quadrissemana foram feijão (29,33%), batata (27,39%), milho (15,88%) e soja (2,26%). "A alta nos preços dos grãos reflete a quebra de safras no Sul brasileiro, em virtude da estiagem", explicam os pesquisadores.

No Paraná, a maior quebra foi do feijão, cuja produção será 38,6% menor do que a esperada - o volume caiu de 610,4 mil toneladas para 375 mil toneladas. No caso do milho, a redução chega a 31,5%, com colheita prevista agora em menos de 6 milhões de toneladas, ante as 8,7 milhões de toneladas do início do plantio. Quanto à soja, havia a estimativa de produção de 12,8 milhões de toneladas, mas a seca deverá resultar em perdas de 17%, para 10,2 milhões.

Já as regiões paulistas de Avaré e Ourinhos também tiveram perda com a falta de chuvas entre novembro e dezembro, acarretando o não desenvolvimento da espiga do milho. "O crescimento de 76% nas exportações de milho em dezembro (em relação a novembro) e a quebra de safra argentina também contribuíram para a elevação dos preços do grão", informa o IEA.

As quedas mais expressivas ocorreram nos preços do tomate (32,77%), da banana nanica (14,59%), da carne suína (11,89%), da laranja para mesa (3,53%), do amendoim (3,15%) e da laranja para indústria (3,07%).

"Os preços do tomate começaram a voltar ao padrão normal, após a intensa alta provocada pelo excesso de chuvas nas regiões produtoras, em dezembro de 2008. Os preços da laranja continuam em queda, por causa das cotações internacionais do suco. As cotações do amendoim reduziram o ritmo de queda, aproximando-se do patamar mínimo, enquanto as da banana refletem a grande oferta de frutas concorrentes nessa época do ano, o que reduz a demanda por essa fruta", observam os técnicos do IEA.

A queda de preços da carne suína é influenciada pela retração do consumo, em relação ao período de festa do fim do ano. "Esse comportamento é típico nesta época do ano", avalia o IEA. O encerramento de contratos de exportações, sem que se tenham boas perspectivas de renovação, também pode estar contribuindo para a redução das cotações. "A expectativa é de retração das exportações e de redirecionamento da oferta ao mercado interno", prevê o instituto.

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