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A principal barreira encontrada pela indústria têxtil brasileira nos mercados internacionais é o cumprimento dos prazos de entrega das encomendas. Essa foi a sinalização feita por consultoras internacionais durante o 5º Circuito Texbrasil de Estudos de Mercados Internacionais, promovido pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) por meio do programa Texbrasil em parceria com a Agência de Promoção de Exportação e Investimento (Apex-Brasil).

O circuito contemplou as cidades de São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro entre os dias 8 e 10 deste mês. "O principal obstáculo que o Brasil precisa vencer é o da imagem de que não cumpre os prazos de entrega", disse a consultora britânica de Business Development Nikki Rowntree. "Os empresários alemães não dão segunda chance", completou a consultora alemã Margit Jandali.

Margit apontou ainda a adequação das peças em relação ao valor e a numeração. "Os preços devem ser ajustados. Uma peça brasileira não pode chegar lá com o preço de um Armani", exemplificou. "Outro detalhe importante é o tamanho, já que quase não há peças da numeração 40 na Alemanha." Sobre as criações, foram destacados a criatividade, o colorido e a suavidade das peças brasileiras. "Os germânicos buscam uma moda mais perfeita, com qualidade e muita técnica. Já os hispânicos investem em criações mais sensuais", observou Margit. "Tanto no Reino Unido como no Brasil há fantásticos e criativos desfiles. No entanto, o senso de moda daqui é mais colorido e com uma forte presença da sensualidade", destacou Nikki.

Apesar das boas percepções de imediato, há muito a ser feito pelos empresários brasileiros do ramo. Tanto na Inglaterra quanto na Alemanha o Brasil ainda é classificado como o País do futebol e do carnaval. "Os designers brasileiros precisam conquistar o mercado alemão através da construção de marcas com fortes ações de marketing", indicou Margit. "E não adianta uma única marca chegar lá. Será dinheiro jogado no lixo. O ideal é o Brasil todo mostrar sua moda." A consultora inglesa também apontou o conjunto de estratégias e ações para fortalecer a imagem da moda brasileira como o caminho mais certo para chegar ao consumidor. "Os ingleses compram Carlos Miele e não sabem que ele é brasileiro", disse.

Na edição de 2008 do programa, as duas consultoras realizaram um "tour fashion" nas capitais paulista, mineira e fluminense para conhecerem o sistema de produção brasileiro e o nível tecnológico implantado nas indústrias daqui. "Elas vieram procurar produtos de valor agregado, nichos de mercado e a brasilidade dentro dos produtos", afirmou Rafael Cervone Neto, gerente do Programa Texbrasil. "Com isso, elas conhecem exatamente como funciona o mercado têxtil brasileiro e encontram o perfil adequado dos compradores de cada país." O Circuito Texbrasil de Estudos de Mercado Internacional foi implantado em 2005 e tem como missão capacitar empresas do setor para o comércio internacional, por meio de informações sobre os mercados de moda do mundo.

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