SÃO PAULO - A Positivo Informática está perdendo dinheiro no segmento de conversores para sinal de TV digital. Segundo o presidente da empresa, Hélio Rotenberg, a demanda pelos produtos ficou muito abaixo do esperado uma vez que a taxa de adesão pelas camadas mais baixas da população à nova tecnologia não ocorreu na velocidade prevista pela Positivo.

"Como iríamos imaginar São Paulo, o maior mercado do país, oferecendo TV digital mas sem ter filas em lojas para comprar conversores?", afirmou o executivo, que confirmou que, por conta da baixa demanda, sua companhia está "perdendo dinheiro" com os aparelhos.

A expectativa original da Positivo, quando entrou nesse mercado no final do ano passado, era vender cerca de 20 mil aparelhos por mês. "Nossa média, hoje, é de cerca de mil aparelhos vendidos por mês", afirmou o presidente da companhia.

Segundo o executivo, os conversores mais equipados, voltados principalmente para consumidores de classe mais alta e que tenham TV de tela de LCD ou plasma, continuam vendendo razoavelmente bem. O problema de demanda ocorre nos equipamentos mais simples, que a empresa colocou no mercado para suprir as classes C e D da população.

"Acreditávamos que o consumidor de renda mais baixa, que muitas vezes assina o plano básico de uma TV à cabo apenas para ter um sinal bom das emissoras abertas, iria trocar essa assinatura mensal pelo gasto único de um conversor e ter uma melhor qualidade no sinal em sua TV convencional", afirma Rotenberg. "Isso não aconteceu", lamenta.

Outra dificuldade enfrentada pela Positivo no mercado de conversores foi a entrada da concorrente Proview, com um aparelho mais barato. "Fomos obrigados a baixar o preço depois do lançamento deles", afirma Rotenberg.

Ainda assim, o executivo afirma que a Positivo não tem intenção de abandonar o mercado de conversores. Segundo ele, essa é uma posição estratégica e que acompanha a expectativa da empresa de que o futuro para a tecnologia é uma convergência digital cada vez maior. Dessa forma, explica Rotenberg, é importante que a empresa esteja bem posicionada para se beneficiar das oportunidades que essa convergência poderá criar para a indústria.

"(José Sergio Osse | Valor Online)"

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