Pela primeira vez, o Brasil ultrapassou metade dos resultados da Portugal Telecom. Com 50% de participação na operadora de telefonia móvel Vivo e com a Dedic, na área de serviços, a empresa portuguesa obteve 51,1% dos resultados de 2009 no mercado brasileiro, afirmou o presidente da Portugal Telecom, Zeinal Bava.

Segundo Bava, as operações no Brasil no ano passado foram responsáveis por 44% das receitas e mesmo porcentual do Ebitda (lucro antes de impostos, juros, amortizações e depreciação) da Portugal Telecom.

Mais cedo, a companhia divulgou lucro líquido global de 312 milhões de euros (US$ 426,7 milhões) no quarto trimestre do ano passado, um aumento de 118,8% ante o lucro de 142,6 milhões de euros de igual período em 2008. A receita cresceu 6,7% entre os períodos, para 1,81 bilhão de euros, enquanto o Ebitda aumentou 5,6%, para 648 milhões de euros. A receita do grupo no Brasil registrou alta de 18%, para 905,3 milhões de euros, e em Portugal caiu 3,4%, para 846,7 milhões de euros.

Sobre a relação com a empresa espanhola Telefônica, que tem os outros 50% da Vivo, Bava revela um impasse: "A Portugal Telecom considera o Brasil estratégico e não é vendedora da sua posição. Nós estaríamos compradores caso a Telefônica tivesse a intenção de vender, mas a Telefônica disse que era compradora se nós tivéssemos a intenção de vender. Ou seja, estamos numa situação em que ambos não somos vendedores; ambos somos compradores."

O presidente da operadora portuguesa ressaltou que a relação com a Telefônica é "extraordinária". "Trabalhamos com um espírito de equipe muito bom, independentemente de relações de acionistas que podem ter agendas distintas. E os resultados da Vivo são essencialmente reflexo disso", afirmou, citando que acredita na continuidade do crescimento do mercado de telefonia celular no Brasil.

Em 2009, o Brasil respondeu por cerca de 7 milhões dos 9,6 milhões de novos clientes que a tele portuguesa obteve. "Nossa estratégia é chegar a 100 milhões de clientes, hoje são 72 milhões. Queremos ter dois terços dos resultados vindos dos negócios internacionais", afirmou Bava.

Banda larga

Em 2010, o Brasil será o segundo mercado com maiores investimentos por parte da empresa, atrás de Portugal. Sem citar dados, apenas previsões de analistas com os quais se diz "confortável", Bava afirmou que os valores indicados são semelhantes aos de 2009, entre 1,2 bilhão e 1,25 bilhão de euros, dos quais 700 milhões no mercado português.

Para crescer no mercado brasileiro, a empresa pretende investir na licitação por mais espectro. "No Brasil, nós estamos atentos à possibilidade de haver mais espectro, porque o negócio de banda larga naturalmente consome mais capacidade, mas também necessita de mais espectro, e essa é uma das nossas grandes apostas", disse. Segundo ele, nos próximos anos o crescimento da empresa no mercado brasileiro vai passar pela banda larga. "Para nós, a banda larga no Brasil é uma aposta de longo prazo, e o acesso móvel no Brasil vai ser o grande motor do crescimento da Vivo, que tem cobertura 3G em 650 municípios".

No ano passado, segundo Bava, dos 4 milhões de placas de banda larga vendidas no mercado brasileiro 50% aproximadamente foram da Vivo. A operadora atualmente está vendendo mais de 150 mil placas novas por mês. "O número de computadores terá um aumento significativo no Brasil. Nos próximos 3 anos deverão ser mais 50 milhões de computadores no mercado brasileiro". No quarto trimestre de 2009, o crescimento do serviço de dados da Vivo no Brasil foi de 16%.

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