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PORTFÓLIO-Cenário é ruim para a Bovespa

Por Cláudio Gradilone SÃO PAULO (Reuters) - Os prognósticos para as ações brasileiras são ruins no curto prazo. A melhor prova disso foi a reação à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu o juro em 1,0 ponto percentual na quarta-feira.

Reuters |

Apesar de a queda ter sido superior ao que a esmagadora maioria dos profissionais do mercado esperavam, as ações praticamente não reagiram à notícia e nos pregões seguintes operaram sem força e sem tendência definida.

Os novos prognósticos para o juro referencial, cuja estimativa para dezembro de 2009 caiu de 11,25 por cento para 10,75 por cento, também foram incapazes de animar o mercado. O afrouxamento de uma política monetária que vem sendo mantida inexoravelmente apertada pelo BC não foi uma boa notícia.

Em vez de indicar a redução do arrocho, a decisão foi interpretada como uma constatação, pelo Banco Central, de que a economia brasileira está muito mais desaquecida do que seria de se esperar.

Os comentários de que o juro pode caminhar para as taxas de um dígito ao longo dos próximos meses não foram saudados como a constatação de que a economia alcançou um estágio de crescimento sustentável sem inflação, mas sim como um sinal de que a demanda precisa urgentemente de uma lufada de oxigênio.

Os reflexos dessa perspectiva negativa sobre o mercado são evidentes. A ausência de entusiasmo pode ser explicada por dois motivos.

O primeiro é que, apesar de um fim de ano razoavelmente aquecido, as perspectivas para as empresas brasileiras são ruins. As vendas acima do esperado no início de 2009 vieram principalmente no embalo de dezembro de 2008, não representando uma momento de crescimento econômico sustentável.

Os profissionais do mercado esperam que, a partir de março, os indicadores de consumo e renda mostrem uma desaceleração muito significativa, com óbvios reflexos sobre os preços das ações. Não por acaso, a alta de quase 16 por cento dos quatro primeiros pregões da Bolsa foi seguida por baixas na mesma proporção. A ausência de uma economia pujante fez com que as ações devolvessem tudo o que haviam ganho.

O segundo motivo é que os investidores internacionais, que garantiram a saúde financeira do mercado nos últimos cinco anos, estão caprichando para se tornarem a ausência mais comentada do pregão. Na média, os estrangeiros compraram 70 por cento das ações vendidas em aberturas de capital e vinham representando quase 30 por cento dos negócios na bolsa. Hoje, não há mais aberturas de capital, e os pequenos investidores brasileiros são os líderes em volume de negócios.

Além disso, as empresas brasileiras têm de concorrer com outros ativos a baixo preço no mercado internacional. Em momentos de crise como o atual, investidores com dinheiro e paciência têm excelentes oportunidades de comprar bons papéis e pagar pouco.

O melhor exemplo são os fundos soberanos de países árabes, que compraram generosas fatias de empresas norte-americanas listadas em bolsa. Internamente, algumas emissões de títulos de renda fixa nas últimas semanas se esgotaram em poucas horas, devido à qualidade do emissor e à generosidade da remuneração oferecida.

O fato de companhias abertas brasileiras estarem cerca de 50 por cento mais baratas do que nos picos de preço não atrai mais tanta atenção. Há alguns meses, haveria filas de investidores dispostos a pagar por elas. Hoje, os baixos preços entusiasmam pouca gente. Para ganhar dinheiro na bolsa agora, a estratégia mais viável é pensar no curto prazo, comprando na baixa e vendendo na alta logo em seguida.

Tudo indica que essa situação ainda vai demorar para se resolver. Quanto tempo, exatamente, é a famosa aposta de um bilhão de dólares.

A Bolsa de Valores tem a capacidade de antecipar movimentos de esfriamento e reaquecimento da demanda muito antes que a economia real dê sinais de mudança. Mas a melhor recomendação para os investidores em ações é atenção para aproveitar as várias oportunidades de comprar bons papéis a baixo preço, e paciência, muita paciência, para esperar sua recuperação.

* O jornalista Cláudio Gradilone assina a coluna Portfólio para a Reuters; as opiniões expressas são de sua responsabilidade.

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