Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

PORTFÓLIO-Até agora, tudo bem com os lucros das empresas

Por Cláudio Gradilone SÃO PAULO (Reuters) - É grave a crise, são sombrias as perspectivas, é escasso o crédito, é imprevisível o dólar. Mas, apesar dos dissabores econômicos e das inversões gramaticais, os resultados das companhias abertas não apresentaram grandes alterações nos três primeiros trimestres de 2008 em relação ao mesmo período de 2007.

Reuters |

Até agora, os lucros das empresas vão bem, obrigado.

Sem considerar os bancos, 43 companhias abertas já divulgaram os resultados acumulados nos nove primeiros meses de 2008. Quem passou os últimos meses em alguma ilha deserta e sem conexão com sistemas de informação poderia concluir que a economia caminha sem crise ao olhar apenas para os resultados financeiros.

Nesse período, segundo dados da empresa de informações sobre companhias abertas Economática, as 43 empresas que divulgaram resultado faturaram 172 bilhões de reais, o que representou um crescimento de quase 13 por cento em relação ao mesmo período de 2007.

O desempenho da última linha do balanço não foi tão bom, mas ficou longe de ser trágico. As empresas lucraram 28,7 bilhões de reais nos três primeiros trimestres do ano, uma queda de 4,6 por cento em relação a igual período do ano passado. No entanto, esse resultado tem uma ressalva: está sendo distorcido negativamente pelos números da Aracruz, da Sadia e da Perdigão.

A fabricante de celulose perdeu, segundo estimativas do mercado não confirmadas pela empresa, cerca de 2 bilhões de reais devido a operações incorretas no mercado de derivativos de câmbio. Com isso, o resultado acumulado nos três primeiros trimestres do ano ficou negativo em 1,2 bilhão de reais.

Perdigão e Sadia, também prejudicadas pelo câmbio, apresentaram um prejuízo acumulado de 856 milhões de reais e 442 milhões de reais, respectivamente. Expurgando-se esses números, o lucro acumulado das 40 empresas remanescentes da amostra sobe para mais de 31 bilhões de reais, um aumento de 9 por cento em relação aos resultados de 2007.

As margens também não foram afetadas. Considerando-se os números expurgados, a margem líquida das empresas foi de 18,1 por cento nos três primeiros trimestres de 2008, em linha com os 18,7 por cento de 2007 e bastante acima dos juros médios de mercado.

Esses números sustentam duas conclusões importantes. A primeira é que, apesar dos solavancos de setembro, a grande maioria das empresas abertas manteve o ritmo ao longo do período, embaladas pelos bons resultados dos primeiros trimestres do ano. A segunda é que as perdas até agora se concentram nas empresas que arriscaram demais nas estratégias financeiras e foram pegas no contrapé quando o dólar iniciou sua fulminante trajetória de valorização.

E AGORA?

Tudo isso, claro, é passado. A grande pergunta é: quais serão as perspectivas para o quarto trimestre? E para 2009?

A tônica dominante das expectativas vem mudando nas últimas semanas. No início de outubro, as perspectivas eram de um ano de 2008 muito ruim para as empresas, seguido de um ano ainda pior em 2009. Agora, o pessimismo alarmante vem dando lugar a um ceticismo cauteloso. Ainda não há espaço para otimismo, mas a sensação à medida que os números são divulgados é que o cenário poderia ser muito pior.

Para os especialistas, o crédito já está mais escasso, caro e curto, e deve permanecer assim pelo menos até 2010, afetando em cheio setores que dependem de financiamento, como o imobiliário e o automotivo. Mas esses problemas devem ser localizados.

"O varejo e boa parte da indústria de bens duráveis financia seus clientes com recursos próprios ou em parceria com os bancos, e essas linhas de crédito devem ser menos afetadas do que o financiamento para automóveis", diz o economista de um instituto de pesquisas privado.

Claro, todas as companhias abertas estão refazendo suas contas para baixo, para se adaptar a uma economia que deve crescer muito menos do que o esperado no ano que vem. Mesmo assim, a economia continua sendo beneficiada por seus defeitos.

A atrofia do mercado de crédito e a baixa alavancagem das empresas no Brasil tornam o sistema produtivo muito mais preparado para atravessar a crise.

* O jornalista Cláudio Gradilone assina a coluna Portfólio para a Reuters; as opiniões expressas são de sua responsabilidade.

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG