A Porsche aumentou ontem sua participação na Volkswagen para mais de 35% - uma medida que, segundo ela, lhe dará o efetivo controle da maior fabricante de carros da Europa. A Porsche Automobil Holding SE mantinha, até então, uma participação de pouco mais de 30% e já havia dito que tinha planos de chegar a uma participação majoritária.

Ontem, a empresa informou ter adquirido 4,48% adicionais, por uma soma não especificada, elevando seus direitos de voto na Volkswagen para 35,14%.

Em um comunicado, a Porsche afirmou que, "como resultado dessa aquisição, a Volkswagen (...) se tornou uma subsidária da Porsche" pelas normas do mercado mobiliário alemão. A companhia, com sede em Stuttgart, acrescentou que representantes dos empregados da Volkswagen, que tem sede em Wolfsburg, agora terão assento no conselho de empregados e no conselho consultivo da Porsche.

"Nosso objetivo continua sendo aumentar nossa participação na Volkswagen para mais de 50%", disse o presidente-executivo da Porsche, Wendelin Wiedeking. "O passo de hoje é um novo marco nessa estrada", disse o executivo, que também expressou esperanças de "uma rápida solução do conflito entre representes de empregados da Porsche e da VW". Representantes das duas companhias estão divididos sobre a futura distribuição de assentos no conselho de empregados e no conselho consultivo, e os representantes da VW temem que seus colegas da Porsche, uma empresa menor, venham a predominar.

O chefe do conselho de empregados da VW, Bernd Osterloh, disse que o conselho "toma nota" da medida da Porsche para elevar a participação e poderá tomar novas medidas legais em defesa de seus direitos. Segundo ele, "a Volkswagen deve permanecer Volkswagen".

A Porsche informou que as mudanças decorrentes da medida de ontem significam que ela agora é obrigada, pela legislação alemã, a fazer uma oferta formal pela subsidiária de carros de luxo Audi, da VW, mas deixou claro que o faria por mera formalidade. "Vemos a Audi como uma parte integrante do grupo Volkswagen e não temos nenhum interesse em retirar a companhia da estrutura do grupo", disse Wiedeking.

Um obstáculo restante para o pleno controle da Porsche sobre a Volkswagen é um plano do governo alemão permitindo que o segundo maior acionista da VW - o Estado da Baixa Saxônia - continue bloqueando "decisões significativas". Um tribunal europeu decidiu recentemente derrubar uma antiga lei que protegia a VW de um takeover (aquisição de controle) hostil, mas o governo redigiu uma lei conferindo poder de bloqueio a um acionista minoritário com 20% das ações, caso da Baixa Saxônia. A Porsche argumenta que a minoria bloqueadora na VW deveria ser de 25%, de acordo com as leis normais do mercado mobiliário alemão.

Tim Urquhart, analista do setor automotivo da Global insight, disse que a indefinição pode se arrastar. "Certamente, o fim do jogo não está à vista. Isso cria incerteza e é ruim para as ações", disse. Urquhart também vê a relação futura entre Porsche e Audi como uma possível fonte de controvérsias."As duas marcas têm modelos concorrentes em cada segmento de modelo em que a Porsche está envolvida, com o (Audi) TT competindo com o (Porsche) Boxster e o Cayman, e os carros esportivos Audi R8 se posicionando no lugar tradicionalmente ocupado pelo emblemático 911 da Porsche."

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