O polo petroquímico de Camaçari, na Bahia, também está avançando nas pesquisas com biorrefinarias. De lá estão saindo estudos para aplicações práticas de biocompósitos ou biomateriais (de origem vegetal), que devem chegar ao mercado ainda este ano.

As pesquisas mais adiantadas estão sendo realizadas pela Cetrel, empresa que presta serviços de tratamento de resíduos para o polo. Há quatro anos começaram os estudos para transformar uma boa parte dos dejetos industriais em novas matérias-primas. Na prática, os biocompósitos, que têm origem no bagaço da cana-de-açúcar, podem ser combinados a outros materiais, como plástico pós-consumo e cinzas de processos de incineração. O resultado é um material resistente, que pode ser moldado em novos produtos. "É possível fazer de dormentes de estrada de ferro a manequins de vitrines", explica Ney Silva, presidente da Cetrel. Além disso, a empresa fechou parcerias para a produção de chapas para banheiros químicos e placas de aquecimento solar.

As pesquisas brasileiras sobre biorrefinarias chamaram a atenção da Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia. O organismo está estimulando a criação de "clusters" de empresas agroindustriais, para que seus resíduos sirvam de matéria prima para biorrefinarias com zero emissão de carbono. O projeto, chamado de The Sustainable Carbon Negative Biorefinery of the Future - algo como Refinaria Sustentável do Futuro com Emissão Zero de Carbono -, inclui as Universidades de Ghent, na Bélgica, Manchester, na Inglaterra, e Toulouse, na França, além de um grupo de quatro empresas europeias e a brasileira Cetrel.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.