Moscou, 5 dez (EFE).- Anna Politkovskaya foi seguida tanto por seus assassinos como por agentes dos serviços secretos, denunciou hoje no julgamento sobre o assassinato da jornalista russa o redator-chefe da publicação quinzenal para que trabalhava, Serguei Sokolov.

"Segundo nossos dados, houve dois grupos de acompanhamento. Um, dos que preparavam o atentado, e o outro de agentes do Serviço Federal de Segurança (FSB, ex-KGB), que realizavam a perseguição oficial", disse Sokolov ao testemunhar para o processo.

Segundo ele, essa é a conclusão à qual chegaram os jornalistas da publicação quinzenal opositora "Nóvaya Gazeta", no curso de sua própria investigação, paralela à oficial, conforme informou a agência de notícias "Interfax".

Ele também disse que a encomenda do assassinato de Politkovskaya foi estudada por Lom-Ali Gaitukayev, tio do suposto assassino, Rustam Majmúdov, alvo de busca e captura internacional, e de dois de seus irmãos, ambos no banco dos réus como possíveis cúmplices do crime.

Gaitukáyev, que cumpre uma condenação de 12 anos de prisão pelo assassinato de um empresário ucraniano, foi interrogado hoje mesmo a portas fechadas, sem a presença da imprensa, pois segundo a Promotoria poderia dar informações consideradas segredo de Estado.

"Pelo caso Politkovskaya se interessavam vivamente membros do crime organizado, concretamente Gaitukáyev. Segundo minhas fontes, ele tinha estudado a encomenda (do assassinato) no final da primavera e começos do verão de 2006, e tinha atraído para isso todos seus conhecidos", manifestou Sokolov.

Além disso, lembrou que a jornalista foi detida em várias ocasiões pelos militares e agentes secretos criticados em seus artigos, e que, além disso, foi envenenada no avião no qual viajava para mediar no seqüestro da escola de Beslan.

"Ela sobreviveu por milagre, mas as análises que foram feitas desapareceram, por isso que seguimos sem saber com que foi envenenada", afirmou Sokolov, que denunciou que as autoridades nunca investigaram as denúncias postas por Politkovskaya e pela "Nóvaya Gazeta".

O assassinato de Politkovskaya foi perpetrado em Moscou em outubro de 2006 quando a jornalista preparava um artigo sobre as torturas sistemáticas na Chechênia, que foi publicado por seus companheiros cinco dias após sua morte.

Politkovskaya, que nasceu em Nova York em 1958, tinha cidadania russa e americana. EFE se/rr

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