A ata da reunião de julho do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada na manhã desta quarta-feira, afirma que a política monetária do Banco Central deve atuar, vigorosamente, enquanto o balanço de riscos para a dinâmica inflacionária assim o requerer. No encontro, realizado na semana passada, o Copom elevou a dose de aperto monetário da taxa básica de juros, a Selic, para 0,75 ponto porcentual, trazendo a taxa para o nível de 13% ao ano.

A decisão surpreendeu parte do mercado, que esperava a manutenção do ritmo de elevação apresentado nas reuniões de abril e junho deste ano, de 0,50 ponto porcentual.

Segundo o documento, essa atuação do BC pode acontecer por meio de ajuste da taxa básica de juros para reduzir o descompasso entre o ritmo de expansão da demanda e da oferta agregada. Essa atuação também evita, segundo o BC, que pressões originalmente isoladas sobre os índices de preço levem à deterioração persistente das expectativas de preços. O BC avalia ainda que a persistência do descompasso entre a demanda e a oferta "vêm exacerbando o risco para a dinâmica inflacionária". Na ata da reunião anterior, realizada em junho, a autoridade monetária dizia que esse descompasso tendia a exacerbar o risco para a dinâmica inflacionária.

Os diretores do Copom também citam que diante dos sinais de aquecimento da economia e da rápida elevação das expectativas de inflação "são relevantes os riscos para a concretização de um cenário benigno, no qual o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) voltaria a evoluir de forma consistente com a trajetória das metas." O centro da meta da inflação para 2008 e 2009 é de 4,5%, com margem de tolerância de dois pontos porcentuais para baixo ou para cima, ou seja, em um intervalo entre 2,5% e 6,5%.

PIB

Para o Copom, taxas elevadas de inflação geram aumento dos prêmios de risco, encurtamentos dos horizontes de planejamento e "conseqüentemente a redução do potencial de crescimento da economia". No documento, os diretores do BC também afirmam que a alta dos preços tem efeitos regressivos sobre a distribuição de renda da população.

Ainda avaliando as conseqüências da elevação dos índices de inflação sobre a economia, o BC destaca que existe o risco de que agentes econômicos passem a atribuir maior probabilidade de que a alta da inflação seja persistente. Isso, segundo o documento, "implicaria redução da eficácia da política monetária". Para evitar esse quadro de pouca eficiência das decisões sobre o juro, o Copom diz que sua estratégia "visa trazer a inflação de volta à meta central de 4,5% estabelecida pelo Conselho Monetária Nacional (CMN), tempestivamente, isto é, já em 2009".

Os diretores do BC afirmam ainda que essa estratégia leva em conta defasagens do mecanismo de transmissão dos juros para a economia e que as decisões tomadas até agora são as mais indicadas para "lidar com a incerteza inerente ao processo de formulação e de implementação da política monetária".

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