Norte-americanos e brasileiros se envolveram em uma polêmica neste domingo sobre Joseph Goebbels, depois de declarações do chanceler brasileiro, Celso Amorim, comparando a atitude dos países ricos na Organização Mundial de Comércio (OMC) com a do chefe da propaganda do Terceiro Reich.

Às vésperas do começo de uma semana crucial de negociações na OMC, destinada a alcançar um acordo histórico Norte-Sul sobre a liberalização do comércio, o porta-voz da delegação norte-americana, Sean Spicer, considerou "inoportunos" os comentários do chanceler brasileiro.

Durante uma entrevista coletiva à imprensa concedida sábado na sede da OMC em Genebra, Celso Amorim criticou energicamente a atitude dos países ricos nas negociações, acusando-os de considerar que a questão agrícola já estava praticamente aceita pelos 152 países-membros.

O ministro das Relações Exteriores brasileiro denunciou "o mito" de que os países ricos não tinham que fazer mais concessões na agricultura e de que o acordo final dependia apenas da boa vontade dos países do sul na questão dos produtos industriais.

"Resta muito a fazer na agricultura", destacou Amorim, que citou Goebbels ("uma mentira repetida muitas vezes se torna uma verdade").

Segundo o porta-voz norte-americano, "no momento em que se tenta chegar a um resultado favorável para as negociações, esse tipo de afirmação é muito inoportuna".

Ao se referir à "história pessoal" da negociadora norte-americana Susan Schwab, filha de sobreviventes do Holocausto, Sean Spicer considerou que um ministro das Relações Exteriores deveria "considerar alguns sentimentos".

Amorim e Schwab participam neste domingo de um almoço organizado pelo diretor geral da OMC, Pascal Lamy, e na segunda-feira deverão realizar uma reunião a portas fechadas.

Segundo sua assessoria de imprensa, Amorim "não tem intenção de pedir desculpas" durante esse encontro, "já que sua intenção era mostrar que a propaganda pode se sobrepor aos fatos históricos" e não fazer uma comparação entre pessoas.

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