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Com ameaças de boicote a votações de projetos de interesse do Planalto, parlamentares nordestinos de todos os partidos iniciaram na quarta-feira um movimento de reação à tentativa do governo de reestruturar a Eletrobrás. Eles alegaram que a iniciativa retira a autonomia das subsidiárias, entre elas a sexagenária Chesf (Companhia de Desenvolvimento do São Francisco).

Com ameaças de boicote a votações de projetos de interesse do Planalto, parlamentares nordestinos de todos os partidos iniciaram na quarta-feira um movimento de reação à tentativa do governo de reestruturar a Eletrobrás. Eles alegaram que a iniciativa retira a autonomia das subsidiárias, entre elas a sexagenária Chesf (Companhia de Desenvolvimento do São Francisco). "Esses que estão no governo não aprenderam que as instituições são como as pessoas: umas têm vida longa; outras, vida breve; algumas têm passado limpo, como a Chesf, que nunca passou pelas páginas policiais", disse Roberto Magalhães (DEM-PE). "Trata-se de uma empresa modelar que todos os nordestinos conhecem e reverenciam e que foi e continua sendo instrumento de modernização do Nordeste. Querem transformá-la em quê? Numa agência, sem diretores regionais, sem autonomia", acusou Magalhães na sessão da Câmara da quarta-feira. Imediatamente, Magalhães obteve a solidariedade do deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE), um aliado do governo. "A Eletrobrás quer dominar a Chesf para que os investimentos feitos pela empresa e dirigidos à região sejam carreados para Sul e Sudeste, como sempre fez." Inocêncio afirmou que há cerca de três meses foi retirado da Chesf o direito de entrar na licitação a Usina de Belo Monte. "Colocaram outra empresa no lugar", queixou-se Inocêncio. Há muita falta de informação sobre o processo de fortalecimento da Eletrobrás. Um dos poucos pontos conhecidos é justamente esse ao qual se referiu Inocêncio. Pelo novo sistema, as subsidiárias não terão mais autonomia para participar de consórcios. Isso teria de ser autorizado pela Eletrobrás. Atrás de mais dados sobre o fortalecimento da Eletrobrás e enfraquecimento das subsidiárias, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), pediu audiência ao novo ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann. Campos nem chegou a participar de um grande ato de apoio à Chesf, ocorrido no Recife, na segunda-feira. Na ocasião, parlamentares de todos os partidos abraçaram a sede da Chesf e prometerem defendê-la "da sanha" do governo de Lula. Nessa batalha entrou até o líder do PT na Câmara, Fernando Ferro (PE), aliado incondicional do presidente Lula. Ele e o deputado Eduardo Valverde (PT-RO) resolveram convocar o presidente da Eletrobrás, Antônio Muniz Lopes, para esclarecimentos sobre o processo de fortalecimento da empresa.
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