Se em 2009 as siderúrgicas chinesas foram a grande pedra no sapato da Vale na negociação do preço de referência do minério de ferro, hoje são as europeias a principal dor de cabeça. A mudança tem como pano de fundo a crise internacional deflagrada no final de 2008, que devastou muito mais a economia europeia do que a chinesa.

Se em 2009 as siderúrgicas chinesas foram a grande pedra no sapato da Vale na negociação do preço de referência do minério de ferro, hoje são as europeias a principal dor de cabeça. A mudança tem como pano de fundo a crise internacional deflagrada no final de 2008, que devastou muito mais a economia europeia do que a chinesa. Ainda em processo de recuperação, as siderúrgicas europeias tentam barrar o aumento na proporção pretendida, de 90% em média e, para isso, já acionaram até órgãos de defesa da concorrência. A grita das siderúrgicas tem sido capitaneada pela Eurofer, associação que representa as siderúrgicas da região. A entidade diz estar "indignada" com o aumento proposto pela Vale e alega que um mercado com preços competitivos é fundamental para a recuperação sólida da economia mundial. Ela chega a acenar com a possibilidade de volta da recessão na Europa por causa do reajuste. Nas últimas semanas, as siderúrgicas europeias se uniram para resistir à pressão da Vale. Mas quem acompanha de perto as negociações acredita que, frente a um cenário mundial de forte procura pela matéria-prima, essas companhias têm pouco poder de barganha para forçar um aumento menor. Tradicionalmente, a Europa absorvia cerca de 30% do minério vendido pela Vale. Em 2009, ainda sob impacto da crise, o porcentual caiu para quase 17%. Já as siderúrgicas chinesas têm mostrado uma maior resignação em relação ao aumento proposto. A explicação está na necessidade cada vez maior de insumo das companhias chineses, que vêm elevando sua produção de aço para fazer frente ao ritmo ainda acelerado de crescimento da economia local. No ano passado, quando a crise internacional ainda provocava estragos no setor, as siderúrgicas chinesas foram as únicas a baterem pé e boicotarem a oferta da Vale de baixar seus preços em quase 30%. Eles pleiteavam queda em torno de 50%. Sem acordo, a China ignorou os contratos de longo prazo e migrou então para o mercado à vista, que operava com cifras bem menores. Com a recuperação da demanda mundial, o preço do insumo à vista disparou. Hoje, o produto está cotado a um valor mais do que 100% superior ao fixado como referência em 2009 pelo setor.
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