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PMDB recupera a hegemonia no Congresso

BRASÍLIA - Depois de 16 anos, o PMDB voltou a ser hegemônico no Congresso. Na Câmara, o deputado Michel Temer (SP) foi eleito para um mandato de dois anos com 304 dos 509 votos (60% do total) válidos, mesma proporção que teve José Sarney no Senado, que venceu Tião Viana (PT-AC) por 49 a 32 votos.

Valor Online |

Sarney e Temer prometeram engajar as duas Casas no combate à crise econômica. Sarney anunciou, inclusive, corte linear de 10% no Orçamento do Senado.

A última vez em que o PMDB teve o controle do Congresso foi no biênio 1991-1993, por meio do deputado Ibsen Pinheiro (RS) e do senador Mauro Benevides (CE). Foi naquela legislatura que o ex-presidente Fernando Collor sofreu o impeachment.

A vitória do PMDB reforça a aliança com o PT que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer editar nas eleições de 2010, apesar de a disputa no Senado ter se dado entre os dois partidos. O PSDB teve comportamento distinto nas duas Casas. No Senado, votou no PT; na Câmara, apoiou Michel Temer. " Nossa escolha (no Senado) era entre ficar brigando por cargos e nivelar por baixo ou fazer política " , disse o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE). O PSDB avalia que apostou no discurso certo - da mudança e da ética - e que colherá os frutos a longo prazo.

Lula preferia que Senado e Câmara fossem partilhados por PMDB e PT, mas, pessoalmente, se afastou quando Sarney confirmou que era candidato. Virtual candidata do PT à sucessão, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) esteve à tarde no Congresso. Depois de participar da abertura do ano legislativo, disse que a base governista saiu vitoriosa com a eleição de Sarney e Temer e classificou os pemedebistas como " dois grandes brasileiros " .

Coordenador político do governo, o ministro José Múcio (Relações Institucionais) disse que o Palácio do Planalto terá de falar com todos os partidos da base de sustentação do governo " porque a disputa " foi entre eles. Negou que o PMDB possa vir a ter mais ministérios, classificou as decisões de " soberanas " e disse que a escolha recaiu sobre " o que há de melhor " .

Sarney e seus aliados adotaram estratégias diferentes dos adversários no embate em plenário. Os líderes que declararam voto em Viana revezaram-se na tribuna, defendendo mudanças na forma de condução do Senado. Criticaram com palavras duras a candidatura de Sarney.

Ao discursar antes da votação, Sarney falou para a corporação e rebateu todas as críticas que ouvira ao longo da manhã. " O espírito público não envelhece. Envelheço, mas não envelhece em mim a vontade de mudar e de olhar para a frente " , disse Sarney, respondendo às críticas dos partidários de Tião Viana. Sarney lembrou que, por coincidência, assumia a presidência do Senado exatos 50 anos depois de empossado para seu primeiro mandato como deputado federal, nos idos de 1959.

No mesmo discurso, Sarney disse que atuará com independência em relação ao Poder Executivo. " Nunca o Senado, durante a minha presidência, foi capacho do governo " , sustentou.

A eleição de Sarney não impediu a vitória de Temer já no primeiro turno. As traições temidas pela candidatura do pemedebista não se confirmaram. A bancada do PT prometeu votar em bloco em no candidato e a maioria dos petistas cumpriu com o acordo, afastando a fama de que não era cumpridora de acordos. O voto do PT no PMDB foi combinado em 2007, quando os pemedebistas ajudaram a eleger Arlindo Chinaglia (PT-SP) para a presidência da Câmara.

Eleito por um grupo composto por 14 partidos, Temer tem em sua base de apoio tanto PT quanto PSDB e DEM e disse ser o presidente de " todos os partidos " . " Não sou um deputado eleito pelo PMDB em favor do PMDB. Sou um deputado eleito presidente pela Casa " , declarou, em seu discurso de posse.

Ao assumir o cargo para seu terceiro mandato como presidente da Câmara dos Deputados, Temer fez um discurso focado no enfrentamento da crise econômica mundial. " A crise que se avizinha encontrará resistência no país, especialmente no Poder Legislativo " , disse. " Nós precisamos habilitar, trabalhar aqui na Câmara para que possamos formular ideias que levem o país a enfrentar qualquer espécie de crise " , declarou. No Senado, Sarney - também eleito pela terceira vez para o cargo - prometeu criar uma comissão para tratar exclusivamente da crise.

A escolha do novo presidente da Câmara e da mesa diretora se estendeu por toda a manhã e tarde de ontem. Ciro Nogueira (PP-PI), conhecido como o candidato do " baixo clero " , obteve 129 votos e Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que já presidiu a Casa, 76 votos.

Os aliados de Aldo tentaram retardar o início da votação para que a eleição terminasse depois da escolha no Senado. A intenção era conquistar o voto de dissidentes, descontentes com o fato de o PMDB assumir as duas Casas. Os deputados começaram a votar às 13 horas, no mesmo horário que os senadores, mas quando a vitória de Sarney foi declarada, apenas 100 dos 509 deputados haviam votado. Em pouco tempo a expectativa de Ciro e Aldo frustrou-se com a vitória folgada do PMDB.

Depois de eleitos, o novo presidente da Câmara e o do Senado participaram de uma sessão de abertura do ano legislativo do Congresso, com a participação da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff e do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.

(Raymundo Costa, Paulo de Tarso Lyra e Cristiane Agostine | Valor Econômico)

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