A Amil teve um desempenho ruim e pior que o da Medial na última avaliação sobre a qualidade dos planos de saúde divulgada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O processo leva em conta aspectos como o econômico-financeiro, de assistência à saúde e satisfação dos usuários.

"É importante dizer que ninguém sabia que a Medial estava com prejuízo. Parece que as prestações de contas não são transparentes", afirma Lígia Bahia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. "E todos os dados da Medial eram melhores que os da Amil. E a Amil, será que em realidade ela não está no prejuízo?" A empresa e a agência não concederam entrevistas sobre a negociação na última semana.

O aumento das exigências econômico-financeiras da ANS para a manutenção de operadoras é apontado como uma das explicações para a concentração do mercado nos últimos anos.

Além disso, diz o consultor Pedro Fazio, no desespero, algumas empresas tentaram crescer por meio dos planos individuais, mas não resistiram por causa dos riscos do produto, que tem preços regulados pelo governo. "É um mercado que, em resumo, depende do emprego (dos planos coletivos feitos por empresas) e é elitista. Não acredito que haja mais espaço para crescimento."
Para Lígia, a decisão de algumas empresas de abrir o capital, lançando ações na Bolsa caso da Amil e da Medial , pode não ter sido benéfica em razão da crise financeira, o que também estimulou incorporações recentes. Ela critica ainda a leniência da agência com certas aquisições, pois empresas em má situação compraram carteiras de clientes nos últimos anos e depois saíram do mercado, caso da Avimed.

Lígia destaca, por fim, que as políticas do órgão regulador não têm sido eficientes para determinar quem entra no mercado e para organizá-lo. "Estudos mostram que não é bom nem uma empresa muito pequena nem muito grande."

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.